Opinião
Sa�de em decl�nio no brasil
Assistimos com profunda tristeza, estarrecidos mesmo, todos os dias pela televisão, o drama do povo brasileiro na procura de atendimento médico. Em Maceió, temos ouvido nos últimos dias, a angústia dos médicos pedindo demissão dos seus empregos pela total impossibilidade de exercerem com dignidade a sua profissão. A falência dos serviços de saúde pública em nosso País é bem evidente, é deprimente: hospitais lotados, doentes espalhados pelo chão, filas enormes de espera durante horas e os doentes em agonia. E por aí vai. O mundo que se vive hoje parece desumano: os médicos lutam desesperadamente para salvar vidas, mas não estão conseguindo só com o seu esforço; encontram toda sorte de obstáculos para conseguirem realizar uma Medicina decente. A população aumentou demais e os espaços são praticamente os mesmos. Hospitais sucateados, médicos com vencimentos vergonhosos, a população revoltada. Estamos vendo, assim, um enfraquecimento na qualidade de vida coletiva. O grande médico brasileiro Miguel Couto, costumava dizer que a primeira riqueza de uma Nação é o homem que a habita, seu sangue, seu cérebro e seus músculos. Se a sua terra o despreza é provável que haja o enfraquecimento da mesma. O SUS, desde a sua criação em 1990 até hoje, não conseguiu ainda atingir seus objetivos, apesar de várias mudanças administrativas. Portanto, não faltam médicos e profissionais outros para o bom exercício da arte de curar. O que falta é decisão política de fazer a coisa certa, onde os doentes pobres brasileiros possam ser bem atendidos, aliviando suas dores por profissionais plenamente realizados. A Medicina deve ser executada para o bem de todos e não de uma minoria. Afinal, são 80% dos brasileiros que dependem do SUS para o tratamento de suas doenças. É preocupante porque a situação piora a cada dia. Cabe ao médico exercer a sua profissão a serviço da humanidade. O importante é que não lhe faltem os meios de assim fazê-lo. É inaceitável que com o notável progresso material que a humanidade assiste, surgindo diariamente uma tecnologia avançadíssima, o atendimento médico não acompanhe esse mesmo progresso. Assim, quando a vida se debilita, quando o bem maior do ser humano que é a saúde vai se exaurindo, o homem passa a viver uma situação de pânico, promovendo a discórdia e a desarmonia em sua vida. Vamos aguardar ansiosos, com a esperança que sempre todos os brasileiros possuem, de que haja projetos objetivos que dêem saúde para todos. Esperar é viver. (*) É médico ([email protected]).