Opinião
Dom H�lder C�mara e o Conc�lio Vaticano II
A miséria e a exclusão de tantos de nossos irmãos é uma das consequências mais nefastas da cultura da morte, que rouba a dignidade e acaba arrancando dos corações a esperança de uma vida humanizada. Dom Hélder foi capaz de descrever os mecanismos desta realidade tão antiga e sempre nova, tanto em nível macro mundial como em nível local. Quando expôs de forma nua e crua a lógica da miséria e propôs reflexões que vão para além do seu tempo e servem para reascender na Igreja e nos cristãos o ímpeto profético necessário para que possamos pronunciar palavras de esperança e denunciar que a miséria é um insulto à vida e uma ofensa ao criador. ?A miséria tende a reduzir a criatura humana ao fatalismo, a um enorme desencorajamento interior, a uma consequente falta de iniciativa, a uma ausência de vida humana plenamente vivida?. A tentativa de ocultar a miséria é uma das formas de preservar a estética da sociedade do bem-estar de poucos e, ao mesmo tempo, a forma mais concreta de exclusão, na qual os miseráveis são ocultados para que o seu grito não incomode as consciências, denuncie e exija compromissos e atitudes que mudam a lógica da felicidade dos poucos. ?É fácil entender e denunciar a poluição do meio ambiente no qual vive a pessoa humana. Não é fácil entender e denunciar as estruturas de opressão, responsáveis pela poluição em que vegetam o seres humanos em miséria abjeta, em condições sub-humanas. É fácil aos ricos quererem se livrar da poluição visual, de contemplar rostos famintos, trapos malcheirosos, mocambos infectos: os ricos vivem consciente ou inconscientemente à custa dos miseráveis e ainda se dão ao luxo de tentar varrê-los para sempre mais longe, para que não se constituam em quebra de embelezamento das cidades, em prejuízo para o turismo e incômoda interpelação de consciência?. Aquilo que não está à luz dos olhos não incomoda. Prefere-se ocultar para esquecer. Isto se aplica a todos os setores de nossa vida em comunidade. É o caso da Segurança Pública, tema para a nossa Campanha da Fraternidade 2009. O problema é de toda a sociedade, e atinge a todos indistintamente. A almejada Paz chegará. Que venha a nós o teu reino Senhor! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió e membro da Ordem Carmelita.