Opinião
Seguran�a p�blica: tema da Campanha da Fraternidade
No Brasil, Quaresma e Campanha da Fraternidade são inseparáveis. Durante este ano, com o tema: Fraternidade e Segurança Pública e o lema: ?A paz é fruto da Justiça?, acolhe a igreja, através da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o clamor que sobe do povo sofrido, com a vida ferida, ameaçada, banalizada e violentada. Com um grande debate sobre a segurança pública, deseja a igreja ?contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, nas famílias, nas comunidades e na sociedade a fim de que se empenhem, efetivamente, na construção da justiça social para que se torne garantia de segurança para todos?. Pretende a CNBB, com esta campanha, debater a segurança pública com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura de paz, fundamentada na justiça social. Não há negar: diariamente, chegam de todos os cantos do País notícias de injustiças e violências, as mais diversas. Nossa sociedade, vem, cada vez mais, se tornando insegura, sendo a convivência entre as pessoas cada vez mais difícil e delicada. Quer a CNBB contribuir para que esse processo seja revertido, através da força transformadora do Evangelho. Somos todos convidados a uma metanoia, isto é ? a uma mudança de mentalidade em busca da paz e da concórdia, caracterizando a nossa co-responsabilidade na procura daquela paz que seja fruto da justiça. Paz ? palavra sagrada que meus lábios não a podem prolatar debalde. Quero plantar, durante este ano, uma fecunda semente no terreno da justiça. Quero viver num País seguro, mas não à força, apenas, de uma ordem social repressiva. A segurança que almejo para meu País não virá, nem da adoção da pena de morte, nem do exército nas ruas, mas do pão nas mesas, da terra partilhada, do trabalho com dignidade, da igualdade de oportunidades, da saúde e da educação para todos. A segurança que desejo, em face da violência, virá de um trabalho longo de educação para uma cultura de paz que transforme a mente e a prática das pessoas e grupos, ajudando-os na descoberta de instrumentos da não-violência e da reconciliação, para fazer face aos conflitos e à injustiça. Quero aquela segurança que seja consequência de um processo amplo de democratização. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.