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Opinião

Pronasci

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Nesse domingo, Pedro Montenegro, secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, deu uma entrevista preocupante. Disse que poderemos perder os recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania ? Pronasci. Seu pessimismo resulta da inconsistência de projetos anteriores e do fato de, no atual exercício, o prazo de remessa estar próximo a expirar. O texto ainda deixa subentendidos desânimo e carência de conhecimento mais profundo por parte de setores envolvidos. ?Temos diversas áreas sem projetos. Por que as secretarias de Cultura não os elaboram?? Tal indagação procede, pois o programa amplia o conceito da prevenção da criminalidade, atuando em suas raízes socioculturais: ações de incentivo a bibliotecas nas comunidades; cessão de equipamentos digitais e audiovisuais; teatro, música e dança. Promove discussões de temas que visem à preservação da história local. Museus comunitários e outras atividades culturais são vistas como ferramentas relevantes para o desenvolvimento de identidades, além de favorecerem a formação de percepção crítica e reflexiva por parte dos moradores. ?Falta o governo e a prefeitura chamarem suas equipes para traçar seriamente um planejamento nesse sentido?, disse. Diante de tais afirmativas, e enquanto cidadão, manifesto o direito de surpreender-me, porquanto muitos de nós testemunhamos o empenho com que o Estado trouxe Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá, para tratar da cultura da paz, reunindo, diversos setores, com a missão de envidar esforços conjuntos, no sentido de fortalecer a cidadania, evidenciando a valorização da vida (Vide nosso artigo de 26.06.08). Maceió não ficou atrás. Através do projeto CulturAção, dentro dos moldes e qualidade exigidos pelo Pronasci, detalhou etapas, quantificou valores, definiu metas, propondo a capacitação de jovens, residentes nas áreas mais sensíveis, em empreendedorismo sociocultural, visando à implementação de núcleos de convivência nas comunidades, pensando-os como vetores da promoção da cultura da não-violência. O projeto visa o acesso aos conhecimentos necessários para organização e mobilização comunitárias, envolvendo a realização de diagnósticos sobre a realidade local e propiciando a implementação de propostas de intervenção social. Que não sejamos tomados pelo desânimo, pois, parafraseando Alexandre Garcia, dizemos que, no tempo de fuzis, as armas de maior alcance são a sensibilidade e a consciência cidadã. (*) É professor.

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