Opinião
Al�m da marolinha
O presidente Lula afirmou, quando ainda faltavam várias semanas para 2008 terminar, que se a crise financeira americana chegasse ao Brasil seria uma ?marolinha?. Ao mesmo tempo, nos chamados países do primeiro mundo como os Estados Unidos, e em outras nações, cresciam os temores de um verdadeiro tsunami na economia que segue afetando as populações espalhadas pelo mundo. Logo o otimismo do chefe do governo brasileiro não teria como continuar sendo alimentado, pois, decorridos poucos dias da afirmativa, uma análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, mostrava que devido ao agravamento da mesma crise, o mercado de emprego formal brasileiro perdeu 650 mil vagas em dezembro. Um estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, já nos primeiros dias do ano em curso, mostraria o nosso País mais prejudicado em decorrência do agravamento do problema internacional. Em comparação com vários países, entre os quais Alemanha, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Canadá, China e Coreia, o Brasil foi o que apresentou maior retração acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início da desaceleração da economia global. Acumulamos queda de 5,3 pontos percentuais do PIB. De um crescimento de 1,7% ocorrido no terceiro trimestre de 2008, exibíamos variação do PIB de -3,6% no quarto trimestre. Só tínhamos melhor resultado do que a Coreia, que aparecia acumulando diferença de -7,2%, com o detalhe de que este resultado foi acumulado em quatro trimestres de retração da economia. Ao contrário do Brasil, isso ocorreu em um trimestre O presidente Lula manifestou-se ainda otimista. Comparou os seus efeitos aos de uma gripe. Porém, na semana anterior, uma pesquisa do Datafolha constatava a questão do desemprego como a mais preocupante do País.