Opinião
Assisti e gostei
Recentemente assisti ao documentário Estrelas Radiosas, do cineasta e publicitário Pedro da Rocha, inspirado nos livros Contando Histórias e Histórias do Rádio, de autoria do radialista Cláudio Alencar. Lançado em dezembro de 2008, o filme realça de forma competente o início do rádio em Alagoas. As cenas e os fotogramas da inauguração da Rádio Difusora, os depoimentos dos precursores Aldemar Paiva, Cláudio Alencar e Cavalcante Barros, lembrando, por exemplo, o sucesso do radioteatro e como eram encenadas as novelas dirigidas por Lima Filho, são momentos marcantes do filme, enriquecidos com as intervenções de estrelas da grandeza de Pedro Onofre, Sílvia Lorene e Nivaldo Valença. As imagens em preto e branco dos excelentes músicos Antonio Paurílio, Juracy Alves, Reinaldo Costa, Nely Luna, Ascendino Santos e João Oliveira, integrantes do Regional dos Professores e do Conjunto Horizonte, bem como, as vozes em flashback dos cantores Juvenal Lopes, Ernande Silva, Setton Neto, Cláudia Maria, Marlene Santos e Pedro Lima, são sequências comoventes para quem frequentou os programas de auditório da Difusora, apresentados por Odete Pacheco, Haroldo Miranda e Luiz de Barros, figuras brilhantes da radiofonia alagoana. O diretor Pedro da Rocha, no entanto, não aborda exclusivamente a história da Rádio Difusora. Estrelas Radiosas é um importante trabalho sobre o rádio em Alagoas, visto que apresenta registros e depoimentos valiosos, como os de Edécio Lopes, Floraci Cavalcante, Jucá Santos e Rolan Benamour, a respeito dos primeiros anos da Rádio Gazeta e da extinta Rádio Progresso. Com 55 minutos de duração, Estrelas Radiosas é o sétimo documentário da carreira do premiado alagoano Pedro da Rocha, que também é um estudioso da nossa cultura popular e já anuncia seus novos projetos: um filme sobre a vida e a obra do cantor e compositor Juvenal Lopes e outro focalizando o trabalho do ?Mestre Venâncio?, um dos maiores cantadores de coco e mestres de Guerreiro do Estado. Infelizmente os cineastas alagoanos continuam enfrentando enormes dificuldades para poder rodar seus filmes e, quando conseguem algum incentivo, ainda esbarram no problema da exibição, porquanto os espaços são muito restritos, mormente no circuito comercial (*) É advogado, membro da Comissão Alagoana de Folclore e da Academia Maceioense de Letras.