Opinião
Alagoas e a crise
Os poderes estaduais se encontram para discutir medidas que venham enfrentar a crise financeira global ? que agora parece incomodar mais do lado de cá. É importante que na hora da discussão sobre perdas e concessões, as partes consigam olhar adiante de seus interesses particulares, de suas corporações, para que realmente exista uma conquista em termos de propostas concretas. Fala-se em congelar os valores dos duodécimos repassados aos poderes. A medida já foi amplamente debatida em outras ocasiões quando os motivos não estavam ligados a nenhuma crise pelo mundo afora. Nunca houve consenso quanto a tal redução. A responsabilidade de cada um é crucial para que tenhamos equilíbrio nas contas públicas. Mas, se cada um pode dar sua contribuição, parece certo que é no Poder Executivo, ou seja, no governo do Estado, onde se tem mecanismos de maior alcance para medidas de impacto. É o Executivo que delibera sobre obras, gastos, megaprojetos, etc. Como o governo Lula, os governos estaduais têm a caneta para controlar suas gastanças. Nessas horas é essencial também a capacidade de avaliação das prioridades. Nem toda obra é decisiva, nem todo projeto é caso de vida ou morte. Com técnicos competentes, capazes de um diagnóstico preciso do tamanho da encrenca, governo e prefeituras podem racionalizar seus custos e investimentos. Com números no papel ? e não com achismos e demagogia ? deve-se tomar as medidas realmente cabíveis e lógicas. Se o mundo inteiro reclama dos efeitos da crise, o Brasil e seus Estados devem enfrentar a mesma situação, com ideias arrojadas e não com soluções malucas. Que a reunião dos poderes traga saídas criativas e factíveis. De discursos e jogadas para a plateia, o Brasil e Alagoas já acumulam uma boa antologia.