Opinião
N�o matar�s!
?Não matarás!? é o preceito da lei de Moisés, escrito no livro do Êxodo, e repetido no Deuteronômio. Jesus, no evangelho de Mateus, cap. 5, 17, esclareceu: ?Não penseis que vim revogar a Lei e os profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento?. E, mais adiante, no mesmo capítulo, vers. 21, exemplifica: ?Ouvistes o que foi dito aos antigos: ?Não matarás!? Eu, porém, vos digo aquele que se encolerizar com seu irmão, terá de responder em juízo?. Mas, para além da lei de Moisés e a ratificação de Jesus, a lei do ?não matarás? está impressa na consciência do homem. De todo homem. Com pequenas variações de culturas, como no caso das tribos antropófagas e outros. Não é o código penal brasileiro de 1940 que vai ab-rogar a lei natural, impressa no coração do homem. Nem é esta lei iníqua, em seu artigo 128, que permite o aborto no caso de estupro ou de malformação letal, que poderá abençoar o homicídio mais covarde que existe. Não se trata absolutamente da ?bênção da lei?, como escreveu certo jornal do Recife em sua revista semanal. Vem a ser, ao invés, verdadeira maldição legal para praticar crime hediondo. Nem é preconceito posicionar-se de forma absoluta contra o aborto. Se a lei, qualquer que seja ela, é uma bênção, conforme o citado jornal, como não aceitar os Atos Institucionais do regime militar, dentre eles o famigerado AI-5, que fechou o Congresso Nacional, eliminou a eleição para presidente da República e mandou tanta gente para os porões da tortura? O aborto é o assassínio mais covarde e cruel que se possa imaginar. Vejamos 1º ? Mata um ser humano indefeso; o mais indefeso que existe. A criança de 2 anos pode gritar e correr do assassino.O feto não. 2º ? Com os métodos mais cruéis, criados pela maldade humana: drogas asfixiantes, processos mecânicos que arrancam o feto aos pedaços. 3º ? Praticado no lugar mais sagrado: o útero materno, o ninho da vida. 4º ? Realizado com iniciativa ou ao menos autorização da pessoa, que mais devia velar pela vida de sua criatura, a mãe. Não confundir o chamado aborto terapêutico, verdadeiro assassinato perpetrado sob o amparo da lei, com a cirurgia de duplo efeito, perfeitamente lícita, conforme a moral cristã. Dá-se no caso já bem esclarecido, desde Pio 12, de operação que visa diretamente, por exemplo, a extirpar do útero um tumor e, como consequência indireta, ocorre a morte do feto. Recomendemos as jovens mães à intercessão de S. Gianna Beretta, heroica mãe de quatro filhas, que deu a vida pela última, não permitindo nenhum tipo de operação, para extirpar um tumor em seu útero. (*) É arcebispo emérito de Maceió.