Opinião
Greve de prefeitos
Os prefeitos de Alagoas, incluindo o da capital e o de Arapiraca ? a maior cidade do interior do Estado ?, anunciam para hoje um protesto. A forma: o fechamento da prefeitura e a suspensão dos serviços públicos municipais. Em dia, apenas as áreas consideradas essenciais. Tomara que a mobilização dos gestores municipais surta o efeito que todos esperam: a correção do corte no repasse do FPM. De todo modo, é importante que o protesto tenha delimitado com clareza o alcance de seus efeitos ? para que o prejudicado não acabe sendo o próprio cidadão morador das cidades. Chega a ser surpreendente o anúncio de que as escolas estarão fechadas. Somente por esse dado, já temos algo de controverso nessa luta ? legítima, sem dúvida ? dos prefeitos. Seria realmente essencial a suspensão das aulas para alunos da rede pública? A princípio, não se vê como isso possa ajudar na mobilização dos senhores prefeitos. Vale, isto sim, a pressão política ? também legítima, se transparente ? sobre o governo federal. Isso já é feito pela bancada federal alagoana. Na última segunda-feira, por exemplo, os prefeitos tomaram conhecimento da iniciativa da Comissão de Infraestrutura do Senado em cobrar do presidente Lula a revisão da medida sobre o IPI. Também em Brasília, deputados federais e senadores formam uma frente sólida, unida, em defesa dos municípios. Não falta aos prefeitos apoio político nessa campanha pela recuperação dos recursos essenciais ao bom funcionamento da máquina pública. A partir de agora, os atores políticos devem buscar soluções nesse campo mesmo, do diálogo político ? mais que isso, institucional. É bom que o mecanismo da ?greve? acabe por hoje. Ao contrário de sindicatos, o poder público não pode parar suas atividades ?por tempo indeterminado?. Se assim for, quem perde é a população.