Opinião
Li��es da P�scoa
Vamos entrar na Semana Santa, que prepara a celebração da Páscoa do Senhor. Na liturgia da Igreja os cristãos entrarão em comunhão com o mistério do Cristo, o filho amado do pai, que por nós e pelo mundo inteiro, pela humanidade toda, entregou-se à morte ? à nossa morte, morte humana, dolorida, que tem feições de ameaça e absurdo ? e venceu-a por dentro, transformando-a, de caverna sem saída, em túnel que vai dar na vida, vida plena, vida eterna, vida de Deus. De tantos aspectos que podem ser tomados para meditar sobre este mistério riquíssimo, tomo dois, que muito podem nos iluminar e consolar nos reveses da vida. O primeiro: a cruz escandalosa, a morte do Senhor Jesus, aparentemente tão sem sentido, não foi a última palavra de Deus na vida dele. Aquele que contemplamos como homem de dores na Sexta-Feira Santa, também adoramo-lo ressuscitado, pleno de glória divina na noite da Páscoa. Assim sendo, para um cristão, que conhece o mistério pascal do Senhor, jamais as cruzes e sombras da vida terão cara de definitividade. Unido ao seu Senhor, o cristão sabe que ultrapassará as escuridões e absurdos da existência e, no Ressuscitado, vencerá, transformando a treva em luz, o pranto em sorriso e a morte em vida. Em Cristo aparece com claridade meridiana que a última palavra de Deus para nós é a vida e vida em abundância, porque vida divina. Segundo: a cruz de Cristo não é algo absurdo, sem sentido: ela é uma parábola, um ícone de todas as cruzes e de todos os crucificados da vida. Cristo tomou sobre si toda dor humana, toda humana miséria, toda contradição da existência; e tomando-as, tudo redimiu e a tudo deu um novo sentido: Deus não nos explica o sofrimento: sofre conosco, como que nos dizendo: ?Estou contigo, sofro contigo. Se ficares comigo, vencerás e compreenderás que, aconteça o que acontecer, a vida tem sentido, a vida é dom de Deus e tudo, ao final das contas, é graça!? Eis uma certeza que pode transformar uma existência, fazendo-a existência pascal, luminosa e forte, de esperança em esperança. (*) É bispo eleito auxiliar de Aracaju.