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Seguran�a p�blica com cidadania

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Nessa quarta-feira (25), Augusto Boal, ao ser homenageado em Paris, afirmou que cidadão não é aquele que vive em sociedade: é quem a transforma. Assertiva que me fez lembrar Ladislau Dowbor, francês, residente em São Paulo, doutor em Economia pela universidade de Varsóvia, quando diz que somos condicionados a acreditar que as formas de organização do nosso cotidiano pertencem naturalmente a uma esfera superior: o Estado. Observando em seguida que, para conquistarmos melhorias de qualidade de vida, cidadania e democracia efetivas, é necessário retomar a força da comunidade. Faço essas citações, a propósito de nosso artigo aqui publicado no dia 25/03/09, onde estranhei a entrevista de Pedro Montenegro, secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, lamentando a possibilidade de os recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, Pronasci, por falta de projetos, não nos serem disponibilizados. Dos órgãos estaduais não recebi qualquer retorno, no entanto, o município de Maceió nos gratificou com um e-mail informando que, dentro de poucos dias, jovens em condição de risco serão capacitados pela Secretaria de Esporte, Semel, para atuarem, em seus bairros, como multiplicadores de seis modalidades esportivas, e, também, em hip hop, teatro, dança, música e oficinas de carnaval. Defensor da intersetorialidade, fiquei feliz em saber que o projeto que privilegia essas expressões culturais frutificou naquela secretaria, talvez porque seu organograma também contemple o lazer. E como o Pronasci está voltado à transformação social, acredito que, no caso, lazer não será visto como mero divertimento, não dispensará os jovens de atuarem nas transformações que a comunidade requer. Lazer não se resumirá em atividades simplesmente prazerosas, vistas como um fim em si mesmas. E na certeza de que os projetos encaminhados ao Ministério da Justiça pelo órgão municipal de cultura também serão levados a bom termo, vislumbramos que os benefícios dessa soma de esforços, envolvendo recursos materiais e humanos intersetoriais, resultará em práticas e objetivos coerentes com os princípios de uma política pública em defesa da vida. Afinal, ações culturais realizadas Brasil afora têm confirmado as palavras do pesquisador Miguel Renato de Almeida, pós-graduado em Ciências Sociais: ?Onde o movimento cultural se instala, o tráfico acaba não encontrando tanto espaço para atuar?. (*) É professor.

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