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Lula, Obama e Jamie

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No mesmo dia em que Coité do Noia e as demais prefeituras de Alagoas decretavam greve e paravam os seus atendimentos à comunidade miserável, deixando os descarnados sertanejos boquiabertos sem entender porque a tal crise do subprime deixava seus filhos sem aula e eles sem o vermífugo para as lombrigas, na requintada Londres, o G20 se reunia sob violentas ondas de protesto emanadas de bem nutridos manifestantes. Tão distantes episódios teriam a mesma causa: a crise financeira mundial. Em Londres, Lula abafou: no retrato oficial estava perto da rainha Elizabeth; a latere, o presidente Obama alardeou que adorava Lula e que ele era o ?cara? e, isto, poucos dias após o filho de Garanhuns ter vociferado que a crise (a mesma que o levara para a glória londrina) tinha sido gerada por gente branca de olhos azuis, justamente os seus anfitriões e pares presentes ao ágape londrino. Constrangimento: nenhum, até porque vai emprestar dinheiro ao FMI. Em Londres, as lideranças mundiais do G20 mostraram desde o início que não tinham propostas unânimes e muito menos imediatas, tipo passe de mágica para tirar o planeta da crise logo, nem mesmo este ano. Divergência principal: a dosagem entre pacotes e regulamentações. Com o trilhão de dólares amealhado, com otimismo, os sábios admitem que até o fim do ano de 2010 a coisa possa começar a melhorar. Mas até lá o negócio é apertar mais o cinto e seguir o modelo indiano: sentar na cama de pregos. No fog londrino muito se escondeu na neblina: as grandes lideranças mundiais sabem que existe um jogo a ser jogado em dois campos paralelos: em um deles é preciso jogar para a platéia interna, para o povão; tal qual Lula fez: baita discurso que de acordo com o nível do eleitorado, pode ser virulento e agressivo como o seu, demonizando os brancos de olhos azuis ? que não estão nem aí, sabem que isto é pura demagogia eleitoreira ?, e outro jogo, este muito mais duro e sério: o protecionismo comercial, que este sim, maltrata, complica e empobrece . Mas uma tertúlia desta envergadura não poderia terminar sem um grand finale e a programação previa um dinner aos cuidados do badalado e midiático chef Jamie Olivier. Olivier faz um chamativo programa na TV paga, onde entre outras proezas, retira desempregados, viciados e delinquentes da rua e os torna chefes de cozinha. Além de tudo, é conhecido também por preparar a melhor caipirinha da Europa. Tudo a ver para fazer uma grande dupla com Lula. (*) É médico e professor da Uncisal.

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