Opinião
As drogas e as pol�ticas p�blicas
O Brasil, reconhecendo a importância e a amplitude das consequências negativas do uso indevido das drogas, instituiu as políticas públicas Nacionais sobre drogas e sobre o álcool, que contêm princípios fundamentais de sustentação, de estratégias para o enfrentamento coletivo dos problemas relacionados ao consumo indevido de substâncias psicoativas, contemplando a intersetorilidade e a integridade das ações. Os Estados precisam ver a urgência deste problema ? ?epidemia silenciosa das drogas? ? reconhecer a necessidade de adotar uma postura de enfrentamento e ao mesmo tempo dar atenção às questões relacionadas ao uso e abuso do álcool e de outras drogas. Precisamos criar uma estrutura orgânica e uma política pública específica para o tema, criando a política estadual sobre drogas e o sistema estadual antidrogas. Precisamos ter estratégias, alianças intersetoriais, para o alinhamento de ações sociais e de saúde. Governo, mercado e sociedade civil organizada em entidades sem fins lucrativos, visando a uma sinergia entre as principais forças sociais, na busca de soluções para esse grave problema mundial. Este reordenamento de relações político institucionais, entre três grandes setores, constitui a governança social, que deveria ser um novo enfoque para as relações, sob a ótica de corresponsabilidade pelos desafios sociais que não podem ser resolvidos por apenas um segmento. Neste atual momento, o Fórum Permanente de Combate às Drogas se articula fortemente para o enfrentamento. Achamos que precisamos ter garantidos: o acesso ao tratamento de qualidade; políticas de prevenção e proteção social, ambas efetivas voltadas principalmente para os adolescentes e suas famílias; articulação e o financiamento dessas ações. Do contrário, continuaremos com nossos jovens acorrentados em seus lares e a violência a cada dia aumentando, colocando em risco vidas inocentes que hoje pedem socorro e choram lágrimas que, se forem computadas, formarão um oceano de angústias nunca resolvidas. Por este motivo, continuaremos lutando em prol de uma sociedade justa e menos química, visando a uma melhor qualidade de vida. É importante informar, intuir situações de risco, chegarmos antes que os problemas aconteçam. Precisamos estar sempre atentos ao olhar dos nossos jovens, mas tem que ser um olhar diferente, um olhar com amor e ao mesmo tempo com sabedoria. Nossa juventude tem sede de educação, de trabalho, de família. A família é o núcleo maior, é a esperança. (*) É professora e presidenta do Fórum Permanente de Combate às Drogas