Opinião
Para sair da crise
Nesta semana que começa, mais uma vez, governadores estarão em Brasília, em negociações e pressões por mais recursos para seus Estados. O governo federal, de novo, sinaliza com compensações para a queda forte no repasse do FPM e do FPE, a grande receita dos entes da Federação. Nos últimos meses, ficaram mais frequentes os encontros do presidente Lula e seus ministros com governadores e prefeitos. É com o diálogo que se buscam as grandes soluções para problemas e impasses. Já passou da hora, no entanto, de uma resposta clara da União para esse verdadeiro terremoto que atinge as administrações estaduais e municipais. Ao lado de pedidos para ter mais recursos, cabe a prefeitos e governadores provarem que têm projetos e determinação para tanto encarar a crise como apostar em investimentos arrojados. A cultura da reclamação eterna não produz riqueza nem sequer ameniza as dificuldades. Numa tradição em que o outro é que é sempre cobrado, também representa maturidade a capacidade de dividir sacrifícios e apostar no longo prazo. Naturalmente, estão com o governo federal os mecanismos capazes de superar as aflições que caem sobre a cabeça das populações dos Estados e cidades mais afetados pela crise. É, portanto, decisivo que os gestores arranquem do presidente Lula os compromissos dos quais não se pode abrir mão, sob pena de o tempo passar e a situação se agravar ainda mais. No início da semana, como anunciamos nesta edição, os governadores de Alagoas e de Pernambuco levam também ao governo Lula as reivindicações do setor canavieiro ? igualmente mergulhado na crise de crédito. Apesar da imagem desgastada, tem de ser contemplado com medidas que ajudem ao homem do campo, os milhares que dependem do setor para sobreviver.