Opinião
Macei�, cidade de paz
É dentro deste espírito pascal, de vida e ressurreição, que repito estas palavras já ditas e tantas vezes pronunciadas: estamos entendendo que para atingir o objetivo de construir uma cidade de Paz ? Maceió, cidade de Paz ? temos que levar em consideração determinados pontos de fundamental importância. A paz como um anseio profundo de todos os seres humanos em qualquer tempo ou lugar e esta mesma Paz não se pode consolidar, senão no pleno respeito da ordem instituída pelo Criador. O avanço de tudo e de toda a ciência, apenas demonstram a imensa sabedoria e grandeza de Deus. Todo cristão tem o sagrado dever de levar a Paz pelas estradas empoeiradas desta vida, na certeza de que sozinho não está, quando se semeia nos corações de todos os que se encontram carentes e amargurados. Sim, Ele está no meio de nós! Sim, ausência da paz leva o ser humano à sistemática cadeia de destruição e de decomposição da natureza, é uma agressão progressiva a integridade do criado. Quando o Papa João XXIII, de saudosa memória, olhou o tema da Paz, como tão bem o fez Francisco de Assis, assim se expressou: ?Contrasta clamorosamente com essa perfeita ordem universal a desordem que reina entre indivíduos e povos, como se as suas inter-relações não pudessem ser reguladas senão pela força? (Pacem in terris ). Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz! É este, em nossos corações, o eco da oração de São Francisco. A missa que celebramos todos os meses, na Catedral Metropolitana de Maceió, quer significar a nossa disposição de jamais ceder diante das dificuldades e dos atentados contra a paz, não se deixar vencer pela violência, mas manter o propósito de sermos construtores da paz em nossas comunidades e em nossos cidades atormentadas tantas vezes pela violência e morte. Sim, precisamos de muito mais! Termos fome e sede de Paz. ?Se alguém tem sede, venha a mim e beba, quem crê em mim ? conforme diz a escritura ? ?do seu seio jorrarão rios de água viva?. Jesus disse isto falando do Espírito que haveriam de receber os que Nele acreditassem (Jo. 7, 37-38). Não estaria a humanidade já rouca de tanto gritar por esta água que mata verdadeiramente a sede de paz, que o mundo não tem condições de oferecer? Não fazer nada diante desta realidade do mundo violento, é negar-lhe o direito de beber das verdadeiras fontes da água da vida. ?Eis que de meu seio jorrarão rios de água viva?! ?Pois a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna? (Jo. 4, 14). Quando morre uma fonte de vida, todos passam a sofrer desta triste consequência. Vamos dar mais uma vez uma oportunidade para a paz! Feliz Páscoa! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.