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2026 e as informações

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Passei a transição de ano da melhor forma que um ser humano pode desejar: junto com a família, trabalhando e gozando de saúde. Não poderia desejar nada melhor do que isso.

Mas um amigo muito próximo e mais idoso passou esse período hospitalizado em decorrência de uma doença crônico-degenerativa agressiva que o acometeu há cerca de quatro anos e agora recidivou. Sua companheira, também idosa, foi acometida por uma síndrome hipotensiva quando lhe fazia companhia no apartamento e precisou ser levada à emergência do hospital. Como eu estava no hospital trabalhando, pude chegar e prestar um mínimo de ajuda. São coisas que acontecem com os idosos.

Sófocles, sabiamente, escreveu em Antígona que “ninguém gosta do mensageiro que traz notícias ruins”. É uma verdade, mas é inevitável registrar que essas notícias, sejam boas ou ruins, são trazidas pela imprensa e, em 2026, ela continuará trazendo-as. Espera-se que a imprensa seja independente e continue cumprindo o seu papel de quarto poder. Não se pode valer do argumento de que, se a notícia é boa, é verdadeira; se é ruim, é falsa. Logo, o mensageiro é mau ou bom de acordo com o teor da notícia.

É claro que, como toda profissão, o jornalismo brasileiro tem defeitos. A imprensa se beneficiaria de mais profissionais de centro, que não se deixassem envolver por temas mais à esquerda ou mais à direita, mas se mantivessem imparciais e moderadamente críticos a ambos os lados e, quando o assunto fosse realmente muito relevante, fizessem análises e críticas de acordo com a gravidade do tema em foco. Moderação sempre será uma virtude na rotina das democracias, a não ser quando elas são ameaçadas; aí, a resposta da imprensa tem que ser proporcional à gravidade da ameaça.

O que motiva as críticas cada vez mais agressivas vindas da direita e da esquerda, todavia, não são os defeitos, mas as virtudes. Incomodar, portanto, os dois lados é um sinal de jornalismo sadio. Os diferentes grupos que disputam o poder têm, cada um, a sua narrativa. Diariamente, novos fatos ocorrem que podem ser favoráveis às narrativas de um lado ou de outro. Como nenhum lado tem o monopólio da ética ou do entendimento da realidade, é esperado que surjam fatos ora favoráveis a um, ora a outro. Um jornal que seja — ou tente ser — objetivo refletirá essa variedade e, assim, desagradará a todos em alguma medida.

Isso porque, do lado dos leitores, a maioria reage à notícia não pela qualidade das evidências ou pela confiabilidade da publicação, mas pelo impacto político. Ela favorece meu lado? Então é verdadeira. Ela prejudica meu lado? Então é falsa ou uma cortina de fumaça para encobrir a notícia realmente relevante.

No passado relativamente recente, leitores e espectadores ficavam restritos à grande imprensa como sua principal fonte de informação. Hoje, o consumidor de informação tem à sua disposição um cardápio infindável de fontes, que vão do jornalismo mais sério até páginas abertamente militantes, cujo conteúdo é feito sob medida para agradar aos seus consumidores. Cabe a ele, e somente a ele, escolher. Abraham Lincoln dizia: “Só tem o direito de criticar aquele que é imparcial e que pretende ajudar”. “Ajudar”, aqui, leia-se: informar a verdade e defender intransigentemente a democracia.

O objetivo principal de um jornal sério, contudo, não é agradar, e sim informar a população da forma mais objetiva possível, permitindo que o debate público — parte central de uma democracia — tenha alguma aderência com a realidade e não fique exclusivamente dependente de boatos e propaganda. E isso pressupõe leitores e espectadores que, hoje mais do que nunca, precisam cultivar em si a disposição interna de valorizar mais a busca da verdade do que a simples confirmação de suas preferências. É o grande desafio que se coloca a todo indivíduo neste mundo em que os limites não virão de fora.

Em 2026, teremos eleições, Copa do Mundo e muitos motivos para nos indignar. No auge da indignação, façamos o esforço supremo para sermos equilibrados e não culpar o mensageiro pela má notícia. Noam Chomsky, antes da popularização das redes sociais, escreveu: “A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica e deixar cicatrizes no cérebro”. Hoje, com a multiplicação das fontes de informação, os desafios e as responsabilidades são ainda maiores para a imprensa.

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