Opinião
Ele n�o est� aqui
Vocês não se espantem: ?Estão procurando Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ele ressuscitou; não está aqui? (Mc. 16,6). Os inimigos gratuitos de Jesus pensavam destruí-lo. Chegaram a tirar-lhe a vida. Para eles estava Jesus, definitivamente vencido, porque morto. Cristo, entretanto, não veio para ficar morto. Veio morrer para vencer, para salvar, para libertar. Veio morrer para oferecer a vida. Foi para viver que ele morreu. Foi para libertar que ele morreu. Houvera ele fugido da morte teria sido o seu fracasso, porque quem morre é que triunfa. Se o grão de trigo não morrer, não poderá dar fruto. Cristo ressuscitou. Ele é de ontem, de hoje e de sempre: caminho, verdade e vida. São Paulo afirma claramente: ?Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele?. Essa ressurreição dentre os mortos é um ressurgimento para a vida que escapa, definitivamente, da morte, diante da qual morrer é importante e que tem seu modo de ser no ?Corpo Glorioso? (Fil.3,21) que indica seu caráter inconcebível ?da nova criação?( 1 Cor. 15,42ss). Ele está presente quando se doa e, ao mesmo tempo, quando se esquiva. Deixa-se tocar e foge a esse contato. Está presente de uma forma corpórea, mas também pneumática. Cristo vive ? ressuscitado. Aí está a causa de nossa esperança e a fonte de nossa fé. Como aconteceu com as mulheres e os apóstolos, na manhã da ressurreição, a fé já não consiste mais em sentir, ver e buscar o Jesus que viveu entre o povo, mas, sim, em saber encontrá-lo, em suas manifestações invisíveis, mas tremendamente vivas em nossas existências ou nas realidades que nos circundam. Com efeito, viver a ressurreição é viver a nossa fé. Encontrar o Cristo, que já não se encontra, visivelmente, conosco, mas nos sinais que nossa fé revela é encontrá-lo na Igreja que prolonga seu ensinamento e transmite ao mundo os frutos da ressurreição. É encontrá-lo no Evangelho que nos coloca em contato com sua vida e sua mensagem. Viver a ressurreição é reconhecer Jesus na solidariedade, nas aspirações de justiça e de liberdade de nossos povos, em suas lutas e sofrimentos. É reconhecer a presença do seu espírito nas entranhas de nossa cultura e de nossa religiosidade popular. Essa é a fé pascal com a qual estamos comprometidos, desde que Jesus Cristo ressuscitou e vive, entre nós, de um novo modo, em todos os Caminhos de Emaús. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.