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Opinião

Jaime Queiroz, um m�dico e um amigo

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Foi com indizível saudade e tristeza que recebi a notícia do seu passamento no último dia 7. Para quem conheceu esse médico e além de tudo um amigo, jamais vai esquecê-lo tal a sua capacidade, bondade e acima de tudo a confiança que inspirava aos seus pacientes. Foi no Recife, na década de 50, na conhecida Ada, pensão do Padre Abranches, que tive a felicidade de conhecê-lo. Brincalhão, humor a toda prova, estudando Medicina, Jaime ou como na época o apelidávamos, Zé da Loura, fazia-nos de clientes nos dando muitas atenções. Nascia ali, no meio dos seus colegas, o desejo de servir à nobre causa da Medicina. Certa vez, de noite, despertei com batidas na porta do quarto 48 acordando o Jaime. Era um vestibulando que de tanto tomar remédio para não dormir, estava nervoso e com falta de ar. Jaime, encheu um copo com água, mexeu bastante com uma colher e o deu ao fera, dizendo: tome isso e vá dormir. Curioso perguntei, o que você deu a ele? Nada, só um copo com água. No dia seguinte o fera me disse que dormira bem e queria saber do Jaime, o nome do santo remédio. Foi exemplo de pessoa generosa. Ajudou a todos que o conheciam. Quando ainda estudante, colaborou muito com a Liga Pernambucana de Combate ao Câncer e ainda trabalhou nos hospitais e nas campanhas educativas. Passeando em seu carro pelas ruas centrais do Recife, observava que quando olhava uma mulher, mesmo que fosse feia, soltava galanteios a ponto de muitas vezes a pessoa descompassar o andar. Perguntava-lhe o porquê de fazer aquilo e ele respondia: ?Não sabe o bem que fiz. Ela hoje vai dormir melhor e talvez sonhe com seu príncipe encantado?. Nascido em 26 de setembro de 1926, era natural de Caruaru e ainda criança mudou-se com seus pais para morar em Pesqueira. Jovem graduado despediu-se de todos da Ada quando do seu casamento com Zita. Com ela constituiu uma família maravilhosa de filhos, netos e bisneto. Foi um médico exemplar e vitorioso na profissão que abraçou com tanta maestria e abnegação. Aqui em Alagoas deixou muitos amigos e a todos, com sua peculiar atenção, tratou-os com fidalguia, como era de sua índole. Fez várias cirurgias em amigas e conhecidos meus de Maceió, que para ele lhes encaminhava. Quando reconhecidamente pobre nada cobrava. Era como o batizei num dos capítulos do meu livro de memória: ?Um homem de coração largo?. Que Deus o tenha em paz. (*) É engenheiro civil ([email protected]).

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