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Bancos fortes ou especulativos?

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As crises econômicas criam expressões repetitivas e enganadoras. Nascidas das interpretações dos governos, dos julgamentos precipitados dos analistas e das inquietas reações da sociedade. Os fatos reais e seus desdobramentos se configuram através dos dias, após serem avaliados sem paixões e com séria compreensão. No atual cenário da economia brasileira, o nosso sistema bancário passou a ser apontado como um forte aliado para superar a crise, de inspiração internacional, que a todos ameaça. Na realidade, a atuação dos Bancos Oficiais, nos últimos tempos, se revela questionada, pela falta de incentivos em favor das metas do desenvolvimento. Os bancos públicos perderam suas características primitivas, se tornaram competitivos e comerciais, ganharam uma nova denominação de bancos múltiplos. O fenômeno afetou a vida interna das instituições bancárias, comprometeu os sonhos do funcionalismo, firmando uma nova cultura bancária de difícil transição. Os juros e as tarifas cobrados confundem bancos oficiais com os bancos da rede privada. Os lucros se tornaram uma obsessão coletiva em detrimento dos direitos da coletividade. A clientela, pressionada pelos ?produtos? oferecidos, se rende a uma série de incertezas ou se conforma com os rendimentos anêmicos da poupança. A crise serve para redimensionar certos valores econômicos. O governo federal acaba de promover mudanças na direção do Banco do Brasil e estabelece metas de redução de juros. Exemplo que faz despertar as atenções das demais instituições bancárias. É imperiosa, a necessidade de não sufocar, ainda mais, as empresas e a população. É inquestionável, a defesa da produção, do poder de compra e do emprego dos brasileiros. O momento é propício para se repensar a missão dos bancos públicos. Um de seus principais papéis se destina a disciplinar o mercado, através da aplicação de taxas equilibradas, fomentar os financiamentos de longo prazo, valorizar a vocação econômica de cada região e preservar a importância de seus quadros de funcionários, sem os quais nenhuma instituição séria atinge seus objetivos. O País passa a perceber ? o verdadeiro conteúdo social da expressão de ser forte. Sinônimo de gestão correta, de cumprimento dos limites legais e de obediência aos bons costumes. Além do respeito aos direitos dos cidadãos, referência indispensável a todas as formas aceitáveis de desenvolvimento. (*) É advogado.

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