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Pol�cia e futebol

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Os dois clubes de maior tradição do futebol alagoano (CSA e CRB), enfrentavam-se na quinta rodada do campeonato alagoano 2009, quando aos 13 minutos do segundo tempo jogadores de futebol resolvem mudar de esporte e partem para agredir o árbitro da partida e policiais militares que o protegiam. Um policial do quadro da unidade de elite da polícia militar dispara um jato de gás pimenta em direção aos jogadores agressores que rolam pelo gramado, expressando grande sofrimento. O jogo fora paralisado e se iniciara uma série de críticas ao ato isolado do policial do gás. Dias antes da partida de futebol, o Ministério Público e o Comando de Polícia da Capital promoveram reunião com torcidas organizadas dos clubes, onde ficaram pactuadas algumas normas para a segurança do evento. Pura perda de tempo. Integrantes da Mancha Azul (torcida do CSA) resolveram fazer a preliminar se digladiando num clássico de socos e pontapés, provocando a intervenção da polícia militar que, sem gás, resolvera o conflito. Do outro lado do estádio, torcedores do CRB integrantes da Comando Vermelho, esquisita homenagem à facção criminosa que comanda os presídios cariocas, a tudo assistia. Torcida organizada e crime parecem ter laços umbilicais. Certo dia, torcedores da Mancha Azul, polegares unidos nas pontas e indicadores apontando para baixo formando a letra ?M? e de frente para uma equipe de reportagem de tv, pulavam alegremente ao redor do corpo de um homem assassinado numa conhecida favela de Maceió, como se estivessem comemorando a inclusão marginal. Na sede da Comando Vermelho, o líder fora flagrado com armas de fogo, munições e drogas; falta grave encaminhada para a polícia. Não é à toa que torcedores comuns cada vez mais se afastam dos estádios de futebol, por temerem a crescente onda de violência durante os jogos. Devem ter razão, pois como justificar a presença de 400 policiais militares no clássico do gás, duas viaturas ostensivas estacionadas na pista de atletismo que rodeia o campo, cães, escudos, capacetes, coletes, coturnos, cacetetes e gás. No fim de jogo, invariavelmente, policiais equipados, e a maioria acima do peso, iniciam corrida frenética para proteger o trio de árbitros como se estivessem em campo de guerra. Cada rodada do campeonato alagoano tem 5 jogos, onde são empregados cerca de cem policiais por jogo (exceto o clássico), totalizando 500 fora do policiamento das ruas, isso sem contar os de trânsito. Grande desfalque para o enfrentamento da violência no Estado. (*) É delegado de Polícia Civil.

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