Editorial
Diálogo necessário

O Fórum Econômico Mundial de 2026 teve início ontem em Davos, na Suíça, sob um clima de apreensão que vai além das oscilações cíclicas da economia. Embora o crescimento global tenha demonstrado resiliência, o pano de fundo é marcado por uma deterioração relevante do ambiente geopolítico e por novas fontes de risco sistêmico.
A escalada de tensões internacionais, evidenciada por movimentos unilaterais de grandes potências e por instabilidades políticas na América Latina e na Europa, recoloca a geopolítica no centro das preocupações. Não por acaso, líderes apontam esse fator como o principal vetor de incerteza no curto prazo, num cenário descrito como o mais complexo desde o pós-guerra.
Soma-se a isso o avanço acelerado da inteligência artificial, vista simultaneamente como motor de produtividade e como potencial geradora de bolhas financeiras e disputas estratégicas entre Estados Unidos e China.
Nesse contexto, o tema escolhido para o encontro – “Um Espírito de Diálogo” – é uma necessidade. Em um ambiente de multilateralismo enfraquecido, restrições comerciais crescentes e rivalidades tecnológicas, Davos reafirma que o diálogo é condição indispensável para preservar a estabilidade econômica global e evitar que tensões políticas se convertam em crises de maior magnitude.
