Editorial
Alívio concreto

A queda generalizada no preço da cesta básica registrada nas 27 capitais brasileiras, de acordo com levantamento do Dieese divulgado ontem, representa um alívio concreto no cotidiano das famílias e um sinal relevante de mudança em relação a períodos recentes marcados por forte pressão inflacionária sobre os alimentos.
Esse não é um fenômeno isolado ou casual. Recordes consecutivos de financiamento, com juros acessíveis, fizeram com que o campo brasileiro produzisse a maior safra de sua história. Reduções que chegam a mais de 9% em algumas capitais não são estatísticas abstratas: traduzem-se em mais comida na mesa, maior previsibilidade no orçamento doméstico e recuperação parcial do poder de compra, sobretudo entre os mais pobres.
Em um passado recente, a escalada dos alimentos corroeu rendas, ampliou a insegurança alimentar e transformou itens básicos em fontes de preocupação permanente. O cenário atual, associado a políticas de estímulo à produção e ao fortalecimento da agricultura familiar, indica que a expansão da oferta interna começa a produzir efeitos duradouros nas prateleiras dos mercados. Mais do que um dado conjuntural, a redução dos preços dos alimentos reforça a importância de políticas agrícolas consistentes para garantir estabilidade econômica e proteção social.
