Editorial
Reavaliação

Os resultados do Enamed, Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, divulgados nesta semana, trouxeram à tona um problema que já não pode mais ser relativizado: a baixa qualidade de parte dos cursos de medicina no Brasil. Com cerca de um terço das graduações avaliadas apresentando desempenho insuficiente, sobretudo na rede privada e municipal, o exame expôs fragilidades estruturais na formação médica.
A reação do Conselho Federal de Medicina, ao discutir a possibilidade de restringir o registro profissional de egressos com desempenho inadequado, reflete a gravidade do cenário. A ausência de hospitais-escola, infraestrutura adequada e campos de prática compromete não apenas o ensino, mas a segurança dos pacientes.
A defesa de um exame de proficiência, apoiada por entidades médicas, surge como resposta a um sistema que hoje permite o exercício profissional imediato, independentemente da real preparação do formando.
Embora representantes das instituições privadas alertem para riscos jurídicos e para o uso punitivo do Enamed, o dado central permanece: não basta ampliar vagas. A prioridade deve ser assegurar formação sólida e responsável. Formar médicos sem qualidade é transferir à sociedade o custo de um ensino precário, um risco que o país não pode mais aceitar.
