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A má medicina

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Nesta semana, veio a público que um total de 99 cursos de medicina pode ser punido por não alcançar a pontuação considerada satisfatória na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgaram os ministérios da Educação (MEC) e da Saúde. Essas graduações são oferecidas por 93 instituições federais e privadas. No exame, elas não conseguiram que 60% de seus estudantes concluintes alcançassem a proficiência.

O resultado da primeira edição do Enamed mostrou que um terço dos cursos de medicina avaliados teve desempenho insatisfatório e não surpreendeu médicos e gestores de saúde. Para eles, o exame apenas confirmou um problema que já vem sendo observado na prática: a formação deficiente de parte dos novos médicos tem elevado o risco aos pacientes e aumentado o desperdício de recursos dentro dos serviços de saúde.

“Esse profissional pede exames demais e errados, faz prescrições inadequadas e, muitas vezes, indica procedimentos desnecessários. Além de jogar dinheiro fora, ele causa dano ao paciente e aumenta o risco de processos contra os hospitais”, afirmou Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp, sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios privados.

A dificuldade é sentida especialmente nos serviços de emergência, em que há maior dificuldade de contratação de médicos preparados. “Onde deveriam estar os melhores, estão os mais frágeis. Há muita rotatividade e falhas básicas de formação. Os hospitais acabam tendo que treinar esses médicos depois de contratados, algo que instituições médias e pequenas não conseguem bancar”, afirmou Balestrin.

Esse movimento tem impulsionado empresas de ensino médico voltadas ao treinamento pós-formação. “Cursos para se transformar em algo que eles deveriam ter saído da escola sabendo fazer, e não fazem”, afirma.

O diagnóstico é compartilhado por Antônio Britto, diretor executivo da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados). Segundo ele, os hospitais de excelência estão tendo que “corrigir o que não foi ensinado”, ou seja, preparar a mão de obra após a contratação.

“A maior contratação é para plantões e emergências. E é exatamente aí que a falta de qualificação é mais grave. O profissional começa a carreira pelo mais crítico, na emergência, quando deveria estar no fim da carreira.” Nesses setores, segundo ele, há grande rotatividade de plantonistas, o que prejudica a continuidade dos treinamentos.

Na opinião de especialistas, o Enamed e um exame nacional de proficiência, como propõe o CFM, deveriam coexistir. “A residência médica não consegue absorver todos os egressos. Hoje temos 40 mil formados por ano e apenas 20 mil vagas de residência.”

O problema da qualidade do ensino médico não se resolve apenas com provas teóricas. “A formação médica terminal tem um padrão ouro, que é a residência médica. O Brasil criou um número enorme de escolas médicas sem ampliar as vagas de residência. Assim, muitos alunos saem da faculdade e vão direto para o mercado sem estar prontos.”

O caminho passa por melhorar os cursos e ampliar as residências médicas em hospitais públicos e filantrópicos de qualidade. É preciso boa graduação e boa residência. A teoria sem a prática é vazia, e a prática sem teoria é perigosa.

Bons professores, alunos de qualidade, currículo adequado, método de ensino eficiente, boa avaliação e pesquisa.

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