Opinião
A crise e a fome
Os países como o Brasil, afetados pelos graves problemas da injusta distribuição das riquezas, com expressivo número de habitantes em condições de sobrevivência as mais deploráveis, devem promover urgentemente os melhores meios possíveis, se não quiserem continuar com suas populações penalizadas com as diversas formas de desperdício de recursos públicos, recursos naturais e de alimentos. Fazemos a advertência a partir do conhecimento de duas notícias ontem. De acordo com uma delas, baseada no relatório Informe sobre o Acompanhamento Global 2009: Uma Emergência de Desenvolvimento ? divulgado pelo Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) ? 1 bilhão de pessoas morrerão de fome no mundo e entre 55 e 90 milhões passarão à condição extrema de pobreza ainda este ano, devido à recessão causada pela crise financeira internacional. Segundo as instituições, ?a crise afetará todos os países em desenvolvimento nos próximos dois anos, mediante a contração dos volumes de exportação, a diminuição dos preços, a desaceleração da demanda interna, a redução das remessas e dos investimentos estrangeiros, o menor acesso ao crédito e o retrocesso das receitas?. Como não poderia deixar de ser, o documento também alerta para o crescimento do desemprego e constata que dificilmente serão alcançados os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio fixados para 2015 e estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Outro texto acerca dessa grave questão social no País espalhou-se devido à decisão do próprio governo de punir mais de 500 municípios com a suspensão do repasse, referente a fevereiro, do dinheiro do programa Bolsa Familia. Motivo: descumprimento dos requisitos mínimos obrigatórios. Somente neste mês foram destinados R$ 19,9 milhões a 5.021 prefeituras de todo o País. É um alcance por demais importante.