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Opinião

Nosso futuro tra�ado pela ci�ncia

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Esta semana, fui procurado na Santa Casa por uma moça de 32 anos acometida por câncer de mama. Estava acompanhada por sua mãe que me saudou: ?Dr. Marcos, é o senhor mesmo? Se eu o encontrasse na rua, assim sem bigode e com cabelos brancos eu não o reconhecia!?. Eu fiquei atônito, a memória me falhou. Depois esclareci: a mãe também tinha sido acometida por um câncer de mama há mais de 20 anos atrás. Tinha sido nossa cliente e agora trazia a sua filha com a mesma enfermidade. A questão maior era: outras duas filhas as acompanhavam e ansiosamente queriam saber se iriam ter e mesma doença. À medida que o tempo de exercício profissional vai passando, mais e mais pessoas chegam ao consultório em situações semelhantes; coincidentemente, a revista Veja publicou esta semana matéria sobre a importância da genética em nossas vidas. Neste pequeno espaço, podemos apenas tecer comentários resumidos, ressaltando que após mais de 30 anos de exercício da Medicina, ocorreram muitos avanços na genética e conhecem-se hoje muitas síndromes genéticas que aumentam significativamente as probabilidades de ocorrer câncer: Li-Fraumeni, HNPCC, CHEK2,etc. Embora algumas pessoas não queiram saber o que poderia acontecer com elas no futuro, a não ser ganhar a Sena, a maioria gostaria de saber sobre as probabilidades de ter muita saúde ou ser acometido por algumas doenças, principalmente algumas mais graves, inclusive para poder, dentro do possível, evitar alguns comportamentos altamente arriscados e prevenir-se. Entre tantos avanços que a genética nos tem proporcionado, desde que há alguns anos atrás o genoma humano foi decodificado, está o desabrochar da epigenética, novo ramo da ciência, que sinaliza que existe conexão direta entre nossa herança genética e o meio ambiente em que vivemos: o nosso estilo de vida, que comemos e bebemos, vivências e emoções diárias, entre outras. Neste caso, das duas irmãs da jovem com câncer de mama a orientação atual é fazer teste genético; se der alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, elas teriam probabilidade real de ter câncer de mama, como sua mãe e irmã; todavia, o que vai acontecer, vai também depender da vivência pessoal de cada uma delas. Hoje, sabe-se, temos no nosso código genético pessoal delineamento do que somos e do que podemos ser e ter mais saúde ou mais doença, o que vai determinar nosso futuro também depende do nosso estilo de vida. A ciência está apenas se iniciando neste apaixonante tema. (*) É médico e professor da Uncisal.

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