Editorial
Lembrança dolorosa

Sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, completados nesse domingo (25), Brumadinho permanece como um símbolo doloroso da negligência e da impunidade no Brasil. A data não marca apenas a memória das 272 vidas perdidas, mas também a persistência de uma ferida que o tempo e os acordos financeiros não conseguiram fechar.
O encerramento das buscas, após 2.558 dias de trabalho do Corpo de Bombeiros, expõe o limite entre o dever cumprido e o irreparável: duas vítimas seguem desaparecidas. No campo da Justiça, a demora é ainda mais eloquente. Sete anos depois, o processo criminal avança lentamente, enquanto as famílias continuam à espera de responsabilização efetiva.
Embora exista um acordo bilionário de reparação, a remoção da lama é incompleta, o Rio Paraopeba segue contaminado e a recuperação ambiental avança a passos lentos. Dinheiro algum substitui vidas nem apaga os danos permanentes.
A coincidência de um novo incidente envolvendo a Vale na data da tragédia reforça a principal lição de Brumadinho: sem memória, vigilância e punição exemplar, o risco de repetição permanece. Lembrar Brumadinho é, acima de tudo, recusar o esquecimento e reafirmar que segurança e vida humana não podem ser tratadas como variáveis secundárias.
