Editorial
Integração regional

A fala do Presidente Lula ontem, no Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026 recoloca, com clareza e urgência, um debate recorrente e ainda inconcluso: a integração regional como condição para o desenvolvimento sustentável e para a afirmação geopolítica da América Latina.
Ao afirmar que “seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, Lula sintetiza um diagnóstico histórico: a fragmentação tem sido um dos maiores entraves ao protagonismo da região no cenário global. Não faltam ativos à América Latina e ao Caribe. Energia em abundância, recursos naturais estratégicos, capacidade agrícola, diversidade cultural, uma população de mais de 660 milhões de pessoas e ausência de conflitos armados relevantes entre países vizinhos formam um conjunto raro no mundo contemporâneo.
O problema, como destacou o Presidente, não é de potencial, mas de convicção política e de coordenação institucional. A incapacidade de transformar essas vantagens comparativas em estratégias comuns tem limitado a autonomia regional e reforçado dependências externas.
O apelo de Lula por pragmatismo, pluralidade e superação de divergências ideológicas toca no ponto sensível da integração: ela só será viável se respeitar interesses nacionais distintos, sem abrir mão de objetivos coletivos.
