Opinião
As quermesses
Indo há poucos dias a uma festinha infantil, cujo tema era ?A quermesse?, me recordei das muitas que já fui na minha adolescência, quando morava em Cuiabá, Estado de Mato Grosso. As jovens pertencentes à sociedade tinham participação atuante. Eram convidadas para venderem os bilhetes dos sorteios e, também, atender nas barracas. Geralmente esses eventos se realizavam em torno da catedral, servindo como meio de angariar fundos para as obras assistenciais da mesma. Havia na cidade três festas importantes no ano: a de São Benedito, a de São João e a do Divino Espírito Santo. Para todas eram escolhidos, entre os empresários festeiros bem aquinhoados, que arcavam com todas as despesas da festa. A quermesse fazia parte dos festejos do Divino Espírito Santo. Durante os quinze dias precedentes, o patrono e outras pessoas da sociedade saiam pelos bairros, acompanhados pela banda do Exército local, e empunhando a bandeira do Divino. Batiam de porta em porta para angariar donativos que seriam vendidos na quermesse. Todos colaboravam com alguma coisa. Adorava aquele movimento. Era uma animação! Minha mãe, sempre muito caridosa, participava ativamente desses acontecimentos, sobretudo por ser, além disso, a esposa do comandante da região. No dia da festa, às primeiras horas da tarde, havia a missa. Só depois começavam as funções na quermesse. As barracas se apresentavam apinhadas de objetos variados, inclusive animais como: cabritos, carneiros, bois e aves domésticas. As jovens, que trabalhavam na feira, usavam graciosos uniformes com avental e chapéu. A rapaziada rondava o lugar, paquerando as atraentes vendedoras e gastavam suas mesadas nos sorteios, para agradá-las. Do governador ao mais simples cidadão comparecia ao evento que durava três dias. Os resultados financeiros eram surpreendentes. Na última noite havia um banquete na casa do festeiro, findando, a comemoração, com um belo espetáculo pirotécnico. Cuiabá, por ser uma cidade pequena, sem muitos entretenimentos, recebia com bastante entusiasmo essas festas folclóricas. Apesar do atraso da capital, a sociedade era culta, havia grandes escritores e poetas talentosos. Morei lá durante dois anos e meio, e guardo dela as melhores lembranças. Nunca mais voltei a Cuiabá. Creio que tenha mudado muito, com a melhoria dos meios de comunicação e o incentivo na agropecuária. Já havia grandes charqueados, localizados à beira do rio. Tenho curiosidade de lá tornar. Um dia, quem sabe, irei revê-la. (*) É escritora.