Editorial
Arrefecimento

O desempenho do mercado de trabalho brasileiro em 2025 revela um quadro ambíguo, que combina resiliência com sinais de desaceleração. A criação líquida de 1,3 milhão de postos formais, embora positiva e distribuída por todos os estados da federação, representa o menor saldo desde o choque da pandemia. O dado indica que o ciclo de forte expansão do emprego dos últimos anos perdeu fôlego.
O contexto macroeconômico ajuda a explicar esse arrefecimento. A taxa básica de juros mantida em patamar elevado, de 15% ao ano, impôs restrições ao crédito, ao investimento e ao ritmo da atividade econômica, afetando diretamente a capacidade de geração de vagas.
Nesse ambiente, o crescimento do emprego concentrou-se sobretudo no setor de serviços, tradicionalmente mais flexível e menos dependente de financiamentos de longo prazo, enquanto indústria, construção e agropecuária avançaram de forma mais moderada.
Ainda assim, há elementos que impedem uma leitura pessimista. O aumento real do salário médio de admissão e o fato de todas as unidades da federação registrarem saldo positivo indicam um mercado de trabalho que segue funcional e relativamente disseminado pelo território nacional.
O desafio é transformar a atual estabilidade em um novo ciclo de expansão mais robusta e sustentável.
