Editorial
Dinamismo

Mesmo com a taxa básica de juros no maior patamar em quase 20 anos, o mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego desde 2012. O resultado evidencia que, apesar do freio imposto pela política monetária, a economia encontrou no consumo das famílias um importante fator de sustentação.
A Selic elevada encareceu o crédito e conteve setores mais sensíveis aos juros, mas não foi suficiente para reverter a trajetória positiva do emprego. O crescimento da renda, o rendimento médio recorde e a valorização real do salário mínimo alimentaram um ciclo de consumo concentrado em bens não duráveis e serviços, menos dependentes de financiamento. Assim, o dinamismo do mercado de trabalho se manteve, mesmo em um ambiente restritivo.
O quadro, porém, inspira cautela. A presença expressiva de trabalhadores por conta própria e o peso dos juros sobre o endividamento das famílias revelam limites desse modelo. O paradoxo de 2025 – juros altos e desemprego baixo – não é uma contradição, mas um alerta. Ele mostra que a força do mercado de trabalho pode, por algum tempo, compensar o freio monetário. Mas também reforça a urgência de uma transição. Sem isso, o equilíbrio entre renda, consumo e endividamento tende a se tornar cada vez mais delicado.
