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O adeus ao “Professor apaixonado”

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Os que apreciam a qualidade musical (não necessariamente precisando ser de outra geração, mas conhecer e reconhecer composições e interpretações musicais), só pelo título deste Artigo, certamente, já deduzem de quem se trata.

Nilton Guimarães César, artisticamente conhecido em nosso rico meio musical por Nilton César, nos deixou na manhã do dia 28 de janeiro, após 86 anos de vida (bem vividos), com uma carreira artística exemplar.

Mesmo não sendo tão conhecido no segmento da “Jovem guarda”, foi considerado como integrante dessa Geração de grandes nomes, ainda que seu estilo e voz tenham sido marcados por um traço singular.

Conheci-o, ainda na aurora da vida, graças ao apurado gosto musical paterno de Chiquinho Artur, meu querido velho, pois ele fazia questão de pôr os seus discos para tocar em casa, o que, inevitavelmente, despertava os ouvidos filiais e de toda a vizinhança, já que seu ídolo musical era portador de uma voz inconfundível, como se já não bastasse ser um cantor extraordinário.

Já na fase adulta, tive a alegria de conhecê-lo, pessoalmente, o que não só confirmou a impressão inicial que tinha dele, como um grande artista, mas revelou a mais valiosa, que é a de uma pessoa do bem, de princípios e de valores hoje tão caros.

Nilton César só não é mais conhecido, presentemente, por culpa da mídia, que o negligenciou, exceto Sílvio Santos, “Bolinha”, Ratinho, Sílvio Brito e outros apresentadores da televisão e rádio, de apurado gosto artístico.

Embora nunca tenha tido o espaço que mereceu, possuía um grande e valoroso público fidelíssimo (entre os quais eu e meu pai nos incluímos), o que pode ser conferido pela intensa agenda de shows que fez há poucos anos.

Com o avanço da idade, ao atingir a casa dos oitenta, e com a chegada da Pandemia, em 2020, passou a ser visto mais raramente, embora nunca tenha se aposentado dos palcos.

Em 2021, contou-me que estaria produzindo um novo trabalho, que mencionaria o difícil período da Pandemia nas suas letras.

A essa altura, o “Professor apaixonado” já revelava uma significativa redução do pique, o qual fez com que o público se divertisse, desde os anos sessenta até por alguns anos deste Século.

Em suas últimas aparições na televisão, já não mantinha mais o mesmo vozeirão que tanto o singularizou na carreira musical, embora o carisma e a empatia com o público se mantiveram intactas.

Certamente, os que não o conheceram, ainda terão a oportunidade de ouvir suas belíssimas canções, que podem ser acessadas, gratuitamente nas boas plataformas de música.

Deliciar-se-ão com inesquecíveis sucessos, como a que dá o título a este Artigo, ou com tantas outras que compuseram seu vasto repertório, ao longo da carreira, como: “A namorada que sonhei”; “Férias na Índia”; “Felicidade”; “Amor, amor, amor”; “Espere um pouco”; “São tantas coisas”; “Canção do motorista”; “Por incrível que pareça”; “Outra vez”; “Se é destino”; “Caminhemos”; “Guarânia da lua nova”. “Tiritando”, “Lilian”, etc.

Além do Brasil, cantou em diversos países, sendo aclamado pelo público e crítica internacional, como no México, Estados Unidos e vários outros da América do Sul. Por isso, é possível ouvi-lo em muitas canções em outros idiomas, especialmente o Espanhol.

Nilton César soma-se agora a um elenco de grandes artistas que já deixaram este plano, com a outorga de quem marcou época e será sempre lembrado como uma dos mais importantes nomes da música.

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