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Opinião

Testemunhas de uma certeza

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Durante cinquenta dias, a partir do Domingo da Ressurreição, a Igreja celebra o Tempo Pascal. Repete-se em abundância, nas celebrações, o aleluia litúrgico. ?Aleluia?, do hebraico, significa, ?louvai ao Senhor?. Louvar ao Senhor Deus porque ressuscitou dos mortos o filho Jesus, fazendo dele Senhor do universo e de toda a história humana; louvar ao Senhor porque não se calou ante a violência, a injustiça e a impiedade sacrílega, frutos do pecado humano, que levaram à morte o santo e justo Jesus de Nazaré; louvar o Senhor porque demonstrou ser o Deus fiel, que não abandona os que nele confiam e a ele se entregam. Antes, se fere, cura a ferida, se condena também salva e, se deixa morrer, também ressuscita. Nestes cinquenta dias pascais os cristãos são chamados a recobrar sempre de novo a consciência de que o Cristo está realmente vivo, vencedor, e caminha sempre com sua Igreja nas duras e incertas estradas da história humana. A comunidade dos discípulos do Cristo Jesus não vive nem pode viver numa redoma. Vive no mundo, sujeita aos apertos, riscos e incertezas do caminho da história, mas também, por outro lado, sabe como ninguém o sentido dessa mesma história: o sentido da dor, da derrota, do sofrimento, do fracasso, das tantas situações inumanas e, por fim, da morte. A Igreja olha aquele que foi crucificado e agora é o vivente, e nele, interpreta o desígnio e o agir de Deus no mundo; sabe ela que a última palavra para a história e a vida humana jamais será o mal, o pecado e a morte; sabe que o desígnio do Senhor para nós é sempre a graça, o perdão e a vida. Esta é uma das riquezas deste Tempo Pascal, que nos faz caminhar na vida cantando o ?Aleluia?, sem ilusões nem fugas do mundo, sem renunciar ao nosso compromisso com um mundo melhor, mas também sem nunca perder as esperança nem esfriar na certeza de que o Ressuscitado estará sempre conosco, venha o que vier, até a consumação dos séculos. (*) É bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju.

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