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Discuss�o sim, agress�o n�o

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Reconheço: o nosso artigo da semana passada deixou os meus poucos leitores insatisfeitos. E, não apenas por uma razão, mas pelo menos por três razões diferentes. Escrevi sobre uma jovem mulher com 32 anos acometida por câncer de mama, cuja mãe tivera também a mesma enfermidade uns 20 anos antes e viera acompanhada por duas irmãs angustiadas diante da possibilidade de também vir a ser acometidas pela mesma enfermidade. Alguns me criticaram pela orientação incompleta que dei para o caso das irmãs ? fazer um teste genético e dando alterações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 ?, elas teriam alta probabilidade de ter câncer; e daí: o que fazer diante de alta probabilidade genética de ter uma doença realmente grave, como o câncer? Não existe consenso na ciência médica sobre o que fazer nestes casos. A tendência maior ainda seria instalar a conduta médica clássica: observar e acompanhar rigorosamente as duas irmãs (exames clínicos, mamografias, ultrassons e outros); todavia, algumas escolas (principalmente nos EUA) já preconizam as mastectomias (retirada das mamas) preventivas. Outra razão para insatisfação foi a ausência de opiniões neste espaço sobre dois eventos gravíssimos: um deles a farra das passagens aéreas e outros privilégios disseminados entre os parlamentares brasileiros. Situação que lembra aquela vivida pela França na fase pré-revolução francesa, quando os privilégios da nobreza e do clero eram também igualmente infames, enquanto a grande maioria da população passava fome. No Brasil atual não teremos a opção do terror e da guilhotina de Marat como solução para a insensibilidade dos parlamentares, que se usufruem da legitimidade do voto, tem também o mesmo distanciamento da realidade dos aristocratas e clérigos da época da Revolução Francesa. A solução aqui precisará vir pelo voto melhorado. Finalmente, a questão do STJ e do arranca-rabo entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. O que poderia ter sido uma renhida e proveitosa discussão resvalou para a agressão, que estranhamente foi apoiada por lideranças do Judiciário. Na ciência um tema polêmico pode alcançar extremada divergência; debate que pode levar à luz e a melhores soluções. Partindo-se para a agressão, além de mostrar fraqueza de argumentos é a tentativa de vencer pela força. Na Medicina as divergências devem ser vencidas pela razão, pelo melhor argumento, pela melhor prática e pelas evidências ? se o Direito é uma ciência não pode ser diferente. (*) É médico e professor da Uncisal.

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