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Opinião

Lix�o beach on holiday

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Pela paisagem deslumbrante, a caminhada que se avizinha promete momentos inesquecíveis de relaxamento e comunhão perfeita com os elementos ofertados pela natureza. Já nos primeiros passos, eles se defrontam com seguidas garrafas descartáveis de refrigerante. O belo dia de sol recomenda ignorar aqueles ?seres? estranhos ao ambiente. Os passos continuam firmes e há pedras no caminho. Restos de construção, pedaços de piso, de azulejo, etc. Mais alguns metros, surge o primeiro caco de vidro ameaçador. Logo em seguida, outro e mais outro, pontiagudos e de tonalidades variadas. Não dá mais para apreciar os coqueirais e o horizonte sem cultivar a preocupação com a trilha à beira-mar da cidade de Maragogi. Garrafas, pedaços de cordas de embarcações, sacos de lixo, de biscoitos, rato morto e calças de Toritama. Tudo sob o olhar vigilante de urubus perfilados na posteação praiana. Eis o triste retrato encontrado na praia do segundo polo turístico mais badalado de Alagoas. Esse retrato, inclusive, pode perfeitamente sintetizar um álbum a ser formado pelas praias das cidades litorâneas do Estado. São depositárias de dejetos e detritos decorrentes de ocupações desordenadas e da falta de civilidade de muitos frequentadores. Mas, e daí? É preciso então que ocorram iniciativas das esferas de poder, sobretudo dos nossos gestores municipais. Eu sou daqueles que acreditam na mobilização comunitária como instrumento de educação cidadã. E como se avizinha o Dia Mundial do Meio Ambiente, por que não pôr em prática ações singelas, mas bastante eficazes do ponto de vista até da preservação do meio em que vivemos? O que falta para envolver, por exemplo, a juventude das redes municipais em atividades lúdicas nas praias das cidades? As velhas gincanas podem ajudar a higienizar e ? o mais importante ? a conscientizar as novas gerações acerca da limpeza dos ecossistemas. E tem mais: usar a caneta e punir as construções ambientalmente predadoras é não se omitir diante da investidura do cargo público. Ensinar os pescadores a não deixar ao relento as vísceras dos pescados, após uma puxada de rede, pode afastar os urubus e melhorar a paisagem natural para os nativos e para aqueles que nos visitam. Do contrário, prosseguiremos a degradar a nossa própria casa e a incrustar na mente dos turistas, que alimentam a tão falada ?galinha dos ovos de ouro?, que o destino turístico alagoano é uma espécie de lixeira a céu aberto. (*)É jornalista.

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