Opinião
O alerta da gripe su�na
Lembro dos primeiros anos do curso de Medicina, em que o professor de uma disciplina especializada ditava com voz forte: ?pandemia, ah! A pandemia passa de país a país destruindo preciosas vidas?. E vinham as citações: ?A gripe espanhola, em 1918, provocou a morte de mais de 50 milhões de pessoas; a peste bubônica, fez cidades inteiras desaparecerem do mapa?. Os anos passaram. Atualmente, a gripe suína começa a despertar preocupações no mundo inteiro. O Brasil acordou e se antecipa à crise com medidas de prevenção. Todavia, confesso meu receio diante da possibilidade de uma pandemia de gripe suína, pois convivi, nos idos de 1960, com a famosa ?gripe asiática?, que atingiu boa parte da população maceioense. Os médicos do Pronto Socorro eram chamados para atender, não apenas um doente, mas numerosas pessoas doentes, em ruas inteiras. Circulavam notícias de criancinhas que eram enterradas em terrenos baldios. Era difícil controlar os acontecimentos. A moléstia se disseminava com rapidez. Um fato bem mais recente foi o da epidemia de cólera. Quando assumi a Secretaria de Saúde, em 1993, encontrei um quadro grave, em que já havia mais de mil casos de cólera no Estado. A primeira reunião que fiz com a equipe escolhida para combater a moléstia contou com representantes do Exército, Polícia, Bombeiros, entidades médicas, toda a equipe da saúde e numerosos voluntários. O Hospital de Doenças Tropicais desdobrava-se nos atendimentos, multiplicando ações. No interior, quando não havia possibilidade de abrigar os doentes em hospitais, armavam-se tendas em locais escolhidos. Um quadro desolador. Naquele momento, tão dramático, recebi a visita do então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Francisco Melo, que me pediu para comparecer a um jantar num restaurante à beira da Lagoa Mundaú. Corria a notícia de que peixe e sururu transmitiam cólera. A população evitava comer esses alimentos. Pescadores e sururuzeiros estavam em pânico. Havia necessidade de ato público para esclarecer e comprovar que a transmissão da doença não ocorria dessa forma. Comparecemos ao jantar; no cardápio: peixe e sururu. Agora, ouço a notícia de que parcela da população já evita alimentar-se da carne de suínos. É necessário esclarecer que a carne de porco, cozida, não apresenta risco de contaminação. Afinal, não se sabe o que pode acontecer. ?Quando a barba do vizinho queima é o momento de colocar a nossa de molho? é o que diz o provérbio árabe. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.