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Opinião

Maria Batalh�o

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Vi semanas atrás reportagem sobre profissionais do sexo. Focava-se sobre as mulheres de Amsterdã, na Europa. Em um bairro específico, alegre e agitado, mulheres de todas as idades se expõem em vitrines, onde fazem pose e se mostram. Transeuntes analisam e as escolhem como se escolhessem artigos valiosos, como uma joia, um casaco ou coisa assim. Feita a escolha, a cortina vermelha se fecha e, lá no aconchego, o sexo se concretiza. Recentemente, o governo holandês pensou em acabar com estas ruas, colocando tal exposição para bairro mais afastado. O protesto foi geral tanto na Holanda como em várias partes do mundo. Este bairro e estas ruas são símbolos de Amsterdã, um marco cultural, uma atração turística que vem de longas datas. Pensando nessas mulheres, em atividade tão antiga, fiz ponte de raciocínio com as mulheres profissionais do sexo da nossa Maceió de 50 anos atrás. Onde estavam elas? Na rua do Sol, na Praça Deodoro, na Praça Santa Teresa e nos cabarés de Jaraguá. Nós, jovens daquele tempo, saíamos em grupos de dois ou três, no carro dos nossos pais, para encontrá-las, preferencialmente na Praça Santa Teresa, (bendita Praça Santa Teresa). Lá estavam elas, jovens como nós, mais bonitas ou menos bonitas, sempre gentis e disponíveis; e na noite de ?cuba libre?, nos carros, vendo corrida de submarino amávamos sem drogas e sem maldade, com relacionamento cordial e prazeroso. Cabaré era para quem tinha mais dinheiro e mais experiência. Os iniciantes tinham um caminho diferente. Lembro-me dela, quarentona, ainda arrumada, fazia ponto na Praça Deodoro, na Praça da Assembleia e por aí. Nós, ansiosos e receosos, sempre guiados pela mão de outro, éramos levados até ela. E lá como uma velha tia, nos recebia e do alto da sua experiência, nos afagava o cabelo e nos conduzia mansamente ao seu castelo, um quartinho situado nas imediações da catedral. Lá, como nas vitrines de Amsterdã, as cortinas também se fechavam; um rádio de válvula era ligado em volume moderado para abafar os sussurros do amor e como para tanger e espantar todos os receios, era ligado o ventilador. Entrávamos meninos e saíamos homens, peito estufado de orgulho, passo largo e firme, como vencedor de uma batalha. Do sexo, achávamos nós, sabíamos tudo, tínhamos colado grau. Quantos jovens daquele tempo passaram pelas suas mãos, sem mágoa, sem queixa... Tal qual uma parteira que trouxe à vida tantos jovens, ela foi uma espécie de parteira do sexo. ?Salve, salve, Maria Batalhão!?. (*) É engenheiro civil e empresário.

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