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A figura dos av�s

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MILTON HÊNIO * Nos calendários de alguns anos atrás o dia 26 de julho era dedicado à grande figura da avó. Nos calendários novos ampliou-se a homenagem ao avô também. E ficou então o dia 26 dedicado aos avós. É que o amigo vovô também faz parte intensamente da vida dos netos. E como fazem! Tiro por mim. Sou apaixonadíssimo pelos meus oito netos ? três meninas e cinco meninos, que encantam o meu viver. Nos dias atuais, é de uma importância notável a influência dos avós na vida dos netos por diversas causas: jovens que casam muito cedo por gravidez da namorada e passam a morar com os pais; casais que se separam em número acentuado e os filtros menores vão, em geral, residir com os avós; dificuldade de montar uma casa bem estruturada e os filhos passam a viver sob o mesmo teto dos pais; renda do emprego muito baixa e etc. O último censo do IBGE mostrou que os avós aposentados, em sua maioria, mantêm atualmente filhos e netos em sua casa, apesar da magra aposentadoria que recebem. Portanto, de todas as formas os avós têm participação intensa na vida dos netos e, com certeza, o fazem com a maior satisfação. O avô ou a dedicada avó são essas figuras maravilhosas, verdadeiros anjos da guarda dos netos e que na concepção da criança são os substitutos do papai e da mamãe. Dentro da Mitologia e do Folclore a figura do avô tem o seu prestígio. Por exemplo, os índios americanos chamavam ao Deus Todo Poderoso de ?avô?. Também na Escandinávia, Atli, o grande Deus, quer dizer avô. ?Avô é pai com açúcar? diz o ditado popular. E é mesmo. Durante todos esses anos em que exerço a medicina, pude constatar como é importante a presença dos avós na vida dos netos. É doação total, a tal ponto que as jovens mamães muitas vezes ficam achando que todo aquele carinho vai prejudicar a criança, o que não acontece. Há poucos dias um vovô dizia no meu consultório: ?Calcule, doutor, que eu não tinha medo de morrer. Agora que sou avô fiquei com medo da morte, fiquei covarde. Quando adoeço fico apavorado?. Assim, aconselho aos avós que promovam passeios com seus netos, brinquem bastante com eles nas horas de folga e, tenham certeza de que eles carregarão para sempre essas imagens pelo resto da vida. Foi o que aconteceu comigo e o meu avô. Ainda hoje trago bem viva em minha memória as lembranças de momentos inesquecíveis com ele vividos até os meus seis anos, quando ele faleceu. Lembro-me de uma história oriental em que havia uma ilha onde viviam os principais sentimentos do homem: riqueza, vaidade, sabedoria e amor. Um dia, a ilha começou a afundar no oceano; todos conseguiram alcançar seus barcos, menos o amor. Quando foi pedir à riqueza que o salvasse esta disse: ?Não posso, estou carregada de jóias e ouro?. Dirigiu-se ao barco da vaidade, que respondeu: ?Sinto muito, mas não quero sujar meu barco?. O amor então, correu para a sabedoria, mas ela também recusou, dizendo: ?Quero estar sozinha, estou refletindo sobre a tragédia, e mais tarde vou escrever um livro sobre isso?. O amor começou a se afogar. Quando estava quase morrendo, apareceu um barco, conduzido por um velho que terminou salvando-o. ?Obrigado, disse o amor. Mas quem é você??. ?Sou o tempo, respondeu o velho?. Só o tempo é capaz de salvar o Amor. É verdade. Só o tempo dirá aos netos de hoje, quando adultos, o valor desses momentos vividos com essas grandes figuras que se chamam vovô e vovó. (*) é médico

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