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Opinião

Sem ida e sem volta

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Semana passada, precisamos ir a curto evento da Associação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer (ABIFCC) em Natal, Rio Grande do Norte, e enfrentamos a seguinte situação: embora Natal fique a 30 minutos de avião saindo de Maceió, as opções de voo disponíveis levavam entre sete e oito horas, tempo impensável para uma viagem desta. Isso não ocorre, porque os aviões disponíveis sejam o 14 Bis do Santos Dumont, mas porque para se ir atualmente de Maceió a Natal e outras capitais nordestinas naquela direção, o périplo é digno de um conto de Kafka: o passageiro acorda (se conseguiu dormir) às 2 horas da madrugada, se prepara para chegar ao aeroporto às 4 horas e pegar o avião às 5. Até aí tudo bem, mas, sabendo-se que Natal fica ao norte, após decolar, a aeronave se dirige para o sul! É que atualmente para se ir para o norte, tem que se ir primeiro para o sul; no caso Salvador, Bahia, sentido oposto ao pretendido, o que nos distancia mais do destino. Chegados a Salvador, o avião precisou ficar dando voltas por causa de temporal que não dava teto para pousos ou decolagens. Depositados em solo, e sem direito nem a um acarajé para o desjejum, aguardamos embarque em outro avião em sentido inverso, voltando por aonde viéramos. Voltamos então com destino a Recife, passamos novamente por cima de Maceió e demos um tchau saudoso. Em Recife, desembarcamos e aguardamos outra aeronave para Natal. Era um turbo-hélice de uma empresa que faz inclusive a linha de Fernando de Noronha. Depois de algum tempo, embarcamos e logo na subida pegamos um temporal que chacoalhou o pequeno avião como dentadura dada por político em boca de eleitor. Finalmente descemos em Natal,oito horas após o embarque em Maceió. Tempo suficiente para atravessar o Oceano Atlântico e chegar à Europa ou à África. O retorno para casa, infelizmente, foi pior. A começar pelo atraso de mais de duas horas em Natal. Detalhe exasperante: a empresa do turbo-hélice faz o trajeto Natal, Recife, passa por cima de Maceió com total desprezo ? quando se vê a cidade lá de cima, dá vontade de pedir um paraquedas e pular ?, Aracaju e Salvador, onde depois de espera pegamos o voo redentor voltando para casa! Ao final desta viagem, que deveria nos tirar no máximo umas duas ou três horas preciosas, desperdiçamos mais de 18 horas somente em aeroportos e aeronaves. Para quem tem compromisso, suporta. Penso que para o turista isto será intolerável. (*) É médico e professor da Uncisal.

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