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HGE, SUS e outros que tais

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A calamitosa situação da saúde em Alagoas voltou com força total ao noticiário desta semana. Cantado em versos e prosas como o abra-te Sésamo da emergência, o malnascido HGE, até agora, não passou de um grande conto do pato. É o que se antevia. Afinal, o que esperar do nada maravilhoso SUS, sabidamente uma fantasia lisérgica a flutuar no imaginário de ministros da Saúde de plantão e dos puxa-sacos de sempre? O próprio Lula, numa típica alucinação negativa bem ao seu estilo, garante que o SUS beira a perfeição. Talvez por isso não se mexa uma vírgula nos seus postulados. Não é por acaso a superlotação do HGE. Retrato sem retoques de sistema fanhoso, o hospital é procurado por todo tipo de queixa: da crise histérica ao TCE, a incluir na lista dor de dente, sarna e unha encravada. Reafirmar que postos médicos dos bairros são ineficientes é chover no molhado. Como complicador, de cada dez alagoanos, apenas um (na verdade, menos de um) tem plano de saúde. De repente, com toda desgraça, o insalubre HGE é o fio de esperança para milhares de pessoas. Mas, a visão que se teve esta semana ? excluindo aí a foto-armação da lixeira junto ao colchão da doente ? é a imagem clichê da emergência. Claro, houve um paroxismo no fim de semana com a pletora dos corredores, ambiente ideal para eclosões de comoção aguda. Como é óbvio, casos mais graves são os que permanecem. Realizados os procedimentos de praxe, chega o crucial momento da transferência para outros hospitais. Nesse momento, a corrente emperra. É que a capenga rede pública carece de condições para atender à demanda e a particular não tem cacife para bancar o pós-operatório quase gratuito. Daí a montanha de doentes. Falta dinheiro, gemem os gestores. Por cima da carne seca, ouço dizer aqui, ali e acolá: os poderes da República (sem exceção) continuam em clima hedonista. Na enxurrada de gozos com o alheio, até o Suplicy foi pego fazendo filantropia com passagens para a namoradinha. Ignoro a fórmula de essas libações um dia se transformarem em fios e luvas cirúrgicas. Mas, nem tudo é peste no filé do Nordeste. Não obstante, temos, sim, o pé na ciência e nos grandes avanços. Há 40 anos, um malcompreendido cientista de Arapiraca descobriria que a cura do câncer esconde-se na casca do ipê roxo. Feito ainda mais extraordinário foi a recente constatação de que a aplicação criteriosa de radioterapia ressuscitava defuntos. Um espanto. (*) É médico e professor da Ufal.

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