Opinião
Mais medos globais
Pandemia da hora, a gripe suína, com justas razões, preocupa todo o globo. Assim como a relativamente recente gripe aviária, essas ocorrências fazem a humanidade lembrar de nossas próprias fragilidades e, especialmente, das lacunas ainda escancaradas para as moléstias mais elementares, apesar de todos os gigantescos avanços da ciência e das tecnologias. Pandemoníacas, essas ocorrências têm sido, para o bem e para o mal, ampliadas em seu espectro mortal pela rápida divulgação dos malefícios reais e imagináveis por meio da mídia globalizada. Para o bem, a ampla ação midiática impulsiona a cobrança da opinião pública, para que os governos se apressem em cumprir seus papéis e as informações úteis à população venham a fluir com mais presteza. Para o mal, a demonização do evento pode provocar reações negativas, como prejuízos econômicos desnecessários, preconceitos e pânico em áreas de risco. Mas, pelo sim, pelo não, o saldo da ampla divulgação desses casos de pandemias é positivo. Além de provocar reações mais eficazes e embasadas cientificamente por parte das autoridades responsáveis, essa cobertura, em tempo real, das mazelas as quais o mundo contemporâneo segue exposto (tal qual a humanidade nos tempos pretéritos) alerta em escala global, para a necessidade de se avançar, em termos mundiais, no campo da saúde pública, na universalização (em extensão territorial e através das camadas sociais) das conquistas das ciências da Medicina em todos os níveis. Oxalá seja efêmero o pandemônio em torno da gripe suína. Torçamos e rezemos para que o número de vítimas seja mínimo e que medicamentos eficientes sejam identificados e produzidos com a rapidez necessária. E, principalmente, vamos cobrar das autoridades mais investimentos preventivos, mais pesquisas, menos guerras, menos especulação.