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Opinião

Her�is de ontem iluminando nosso hoje

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Um pouco foi isto que coube a mim, nesta nossa 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Itaici, nos dias 22 de abril a 1º de maio de 2009. Foi buscando estas luzes que eu falei de Padre Ibiapina, do Padre Cícero e do Padre Pinho, sem esquecer Dom Hélder Câmara no centenário de seu nascimento. Terei tempo para escrever e falar de todos eles. No momento, Dom Hélder tem ocupado a minha atenção, pela urgência e atualidade de seus temas. A tentativa de ocultar a miséria é uma das formas de ?preservar a estética da sociedade do bem-estar de poucos? e, ao mesmo tempo, a forma mais concreta de exclusão, por meio da qual os miseráveis são ocultados para que o seu grito não incomode as consciências, denuncie e exija os compromissos e as atitudes que mudam a lógica da felicidade dos poucos. Procuremos entender bem o que nos diz Dom Hélder: ?É fácil entender e denunciar a poluição do meio ambiente no qual vive a pessoa humana. Não é fácil entender e denunciar as estruturas de opressão, responsáveis pela poluição em que vegetam o seres humanos em miséria abjeta, em condições subumanas. É fácil aos ricos quererem se livrar da poluição visual, de contemplar rostos famintos, trapos malcheirosos, mocambos infectos: os ricos vivem consciente ou inconscientemente à custa dos miseráveis e ainda se dão ao luxo de tentar varrê-los para sempre mais longe, para que não se constituam em quebra de embelezamento das cidades, em prejuízo para o turismo e incômoda interpelação de consciência?. Aquilo que não está à luz dos olhos não incomoda. Prefere-se ocultar para esquecer. No entanto, a memória histórica da constituição dos nossos povos colocada à luz de uma consciência que é capaz de perceber os mecanismos de morte e exclusão que estão intrinsecamente arraigados na formação de nossa sociedade, pode revelar aqueles pecados cujas raízes remontam o alvorecer de nossa história. Dom Hélder nos fez sonhar com ações concretas, nas quais a consciência dos pecados estruturais e sociais é capaz de provocar uma conversão que tem a força de gerar atitudes de mudança e criar pontes através das quais marcham a justiça, a solidariedade, a partilha, a fraternidade. ?A paz é fruto da justiça? (C.F. 2009)! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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