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Opinião

Epis�dios engra�ados acontecidos em viagens

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Estávamos com um grupo no Cairo. Visitávamos as famosas pirâmides de Gizé: Quéops, Quefren e Miquerinos. Admirávamos essas obras magníficas da antiguidade, construídas, inexplicavelmente, em sucessivas camadas de enormes blocos de pedra por volta de 4.500 anos a.C., sempre cercados de felás a nos convidarem a dar uma volta montados nos camelos. Diante de tanta insistência, acabamos aceitando a sedução dos pobres homens, não obstante o mau cheiro que exalavam os animais e seus condutores. Uma das senhoras da caravana guardava seus valores nos seios. Era bem gorda e os árabes gostam do tipo e adoram bolinar as mulheres. Assim, com a desculpa de a ajudarem a subir na montaria, aproveitaram para lhe fazerem uns ?amassos?. Começaram a correr com o camelo e a segurá-la pela cintura. Pensando que eles queriam, mesmo, era tirar seus dólares ela gritava desesperada: ?Dr. Lyra, meus dólares! Eles querem tirar meus dólares! Meus dólares!?. Quando fizemos a ?volta ao mundo?, havia um dos componentes do grupo, que tinha se divorciado fazia pouco tempo e não se conformava com essa situação, pois ainda gostava da ex-esposa. Então estava sempre exibindo suas conquistas, na esperança de que os colegas contassem à ex-mulher os seus sucessos amorosos, para lhe provocar ciúme. No voo de Paris para Nova York se enamorou de uma das comissárias de bordo. Logo a convidou para jantar com ele, na mesma noite em que chegamos à cidade americana. Mandou o guia da excursão levar suas malas para o hotel e já deixou o aeroporto em companhia da moça. Tão eufórico se encontrava que nem se lembrou de procurar saber onde ficava o hotel do qual apenas sabia o nome, e que não era dos mais conhecidos. Depois da ceia foi dormir no apartamento da namorada que se localizava num bairro afastado de Manhattam. Pela manhã, a jovem rabiscou num papel um itinerário, mais ou menos provável para ele chegar a tal hospedagem. O rapaz despediu-se da aeromoça e foi tomar o subway, primeira etapa do roteiro. Ainda teria longa caminhada. De vez em quando consultava o papel que a jovem lhe dera e o mostrava a alguém na esperança que soubessem lhe indicar o caminho para o hotel. Numa das vezes que examinava a descrição, o vento forte arrancou-a de suas mãos levando-a para longe. Ficou desesperado. Além de não ter noção do caminho a seguir, não falava inglês. Fazia um frio tremendo e ele teve que ficar a vagar pelas ruas sem destino. Depois de muito andar, foi parar na Quinta Avenida. Por acaso, encontrou um dos componentes da excursão e tudo ficou esclarecido. (*) É escritora.

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