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Os pl�sticos na manipula��o humana

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Afirma-se que os estudiosos da Universidade da Flórida, inventaram iscas de plástico, com odor de camarão, de piaba, de siri ou de minhocas, como novo engodo para peixes incautos. Se não era honroso morrer por causa de 1/4 de siri, ou de uma desastrada minhoca, muito menos agora por um pedaço intragável de plástico, só porque cheira a siri ou camarão. É que as coisas, a certa altura, não vão bem para os peixes, nem para os homens. A estes são oferecidos, a cada instante, pelos diversos meios de comunicação social, outros tipos de plástico, com cheiro e sabor de carne, de peixe, de legumes, como iscas da sociedade de consumo em que vivemos. Se denunciamos essas coisas, como engodo na ponta do anzol, como logro, como tapeação ou manipulação da sociedade de consumo sobre nós, de logo os aristocratas dominadores, de iscas nas mãos, gritam mais alto e vencem o lance, porque pagam mais aos leiloeiros da dignidade humana. Está assim fora de dúvida que a tecnologia mercadeja os subprodutos plásticos, dando-lhes novos formatos, novas cores, novos sabores, conforme as supostas necessidades desse pobre homem robotizado, angustiado, massificado pela sociedade consumista. Trata-se do homem manipulado, massificado, desmoralizado, sem programa de vida, como afirma Ortega y Gasset. Sim, porque uma sociedade, como a nossa, construída sobre a lei do consumo, tende a empobrecer o programa humano diante da ética dos valores. Nota-se isso, na escala pessoal, principalmente quando surge, no horizonte da vida, o terrível inimigo do ser humano: a angústia. Diante de uma sociedade que deseja manipular os seres humanos como se fossem robôs, não esperemos para o momento em que, com um anzol enfiado em nossas gargantas, refletir, porque será tarde demais. Procuremos, de logo, ter um espírito crítico, mostrando à sociedade que somente objetos podem ser manipulados, o homem, não. Na verdade, numa sociedade em que se valorizam as coisas, procuremos valorizar o ser humano, por causa de quem existem as coisas. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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