Opinião
Obras interrompidas
Não é novidade o drama enfrentado por mais de 25 mil famílias, moradoras dos bairros onde obras inconclusas funcionam como multiplicadoras dos problemas das chuvas. Na verdade, a lentidão de execução dos projetos de infraestrutura (e de estrutura) pública é um grave problema nacional. Cleto Marques, Santa Lúcia e Tabuleiro Novo são três comunidades maceioenses onde as águas de maio, precipitadas um pouco mais cedo e com mais volume que o esperado, estão tendo como aliados na destruição as obras inacabadas. Mas, com certeza, outras áreas em Alagoas estão correndo este mesmo risco. Recentemente, o próprio governador de Alagoas manifestou sua irritação em função do lentíssimo andamento das obras de duplicação da rodovia Maceió/Barra de São Miguel. Vários elementos contribuem para esse crônico e endêmico mal nacional. A burocracia estatal, secular obstáculo ao crescimento brasileiro, desde os tempos de colônia, é um desses freios ao bom andamento dos projetos; outro mal, aqui já apontado antes, diz respeito à ?indústria dos aditivos? e, embora nada indique que seja essa a razão dos atrasos nas obras em Alagoas, é um câncer nacional cujo motor malévolo refreia o caminhar dos serviços realizados buscando uma dilatação do orçamento original (o que é obtido, legalmente, através dos famigerados ?aditivos?). Mas, independente das causas, esses atrasos e interrupções deveriam ser objeto de total atenção da fiscalização pública através dos poderes e órgãos competentes. Não basta checar as contas e os procedimentos depois da obra concluída, até porque, depois de encerrados os trabalhos, as correções já não são mais possíveis. O importante para a cidadania é o acompanhamento pari passu, com orientações, e penalidades, a cada equívoco acidental ou a cada erro deliberadamente cometido.