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Opinião

O rebaixamento

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Quando o torcedor comum proclama: ?Eu sou Fluminense!?, ou ?O meu time é o São Paulo!?, não revela apenas sua admiração e simpatia pelo clube; muitas vezes celebra com orgulho os triunfos e somatiza todos os fracassos, além de demonstrar um sentimento de posse e de aquisição de direitos, a ponto de cometer desatinos para defender o time preferido, como se fosse seu patrimônio, entendendo que essas reações são ?uma questão de honra?. Por isso, no Brasil, o futebol não é simplesmente uma modalidade esportiva, ele representa uma atividade importante para o País e na vida de milhões de pessoas. Nesse contexto insere-se o time do CSA, clube quase centenário, possuidor da maior torcida, que conquistou mais títulos até hoje no futebol alagoano, e este ano foi rebaixado para a Segunda Divisão, repetindo o que ocorreu pela primeira vez no ano de 2003. Por mais que o futebol nos reserve resultados inesperados, para um time com a tradição e o histórico do Azulão, a queda para a ?Segundona?, duas vezes em seis anos, é injustificável. Como admitir que um clube detentor de 37 títulos estaduais, que foi três vezes vice-campeão da ?Taça de Prata? (competição equivalente à atual Série B do Campeonato Brasileiro), sagrou-se vice-campeão da Copa Conmebol (torneio internacional), em 1999, e em 2008 conquistou o Campeonato Estadual, fique, em 2009, na penúltima colocação do Alagoano, que contou com a participação de 10 times? Infelizmente, em decorrência de problemas administrativos e financeiros crônicos, o que se observa é a gradativa decadência de um clube tradicional que persiste em atuar de forma amadora e para sobreviver ainda depende de recursos de um ou outro diretor. Assim, todas as críticas dos especialistas ? que têm ?pegado leve? ? a respeito da situação do ?clube das multidões?, devem ser recebidas pelos dirigentes como contribuições valiosas para tentar vencer a crise, porque a queda do Azulão não interessa a ninguém, nem mesmo ao CRB, seu maior rival, pois o Campeonato Alagoano, sem a presença do time do Mutange, fica ainda mais pobre. Espera-se, portanto, que o rebaixamento do Centro Sportivo Alagoano, cujo lema é ?União e Força?, não represente o começo do fim e ele consiga encontrar uma maneira de se estruturar, para voltar a ocupar sua destacada posição no cenário do futebol alagoano, sem ter de mudar de técnico seis vezes em cinco meses. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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