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Opinião

E assim falou o bispo

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O povo alagoano, principalmente a comunidade católica recebeu com indiferença a notícia da ideia proposta por Dom Luís Soares Vieira, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pos ocasião do encerramento da 47ª Assembleia Geral da CNBB, em Indaiatuba, no Estado de São Paulo, que assim se expressou: ?Homossexuais podem ser padres, desde que sejam celibatários, visto que são pessoas humanas, com os mesmos direitos e deveres previstos na Constituição Federal e devem ser tratados como gente?. Diante dessa inovação apostólica, faço o seguinte questionamento: será que seja este o pensamento da Igreja Católica Apostólica Romana, ou apenas o que passa pela cabeça da autoridade eclesiástica proponente em questão? Acredito piamente que as palavras escritas e defendidas por Dom Luís Soares sejam de inteira responsabilidade do mesmo, porque é público e notório que a Igreja Católica ao deliberar assuntos teológicos ou éticos, os analisa com profunda reflexão após ouvir o colegiado cardinalício e, logo em seguida, dar conhecimento ao mundo católico por intermédio das célebres encíclicas, que são cartas circulares pontifícias que testificam decisões dogmáticas ou doutrinárias da Igreja embasadas no Direito Canônico. Procuro por todos os meios entender o pensamento doutrinário do vice-presidente da CNBB, porém, a minha pouca inteligência não me ajuda captar o horizonte a que quis chegar aquela autoridade eclesiástica. As palavras escritas por Dom Luís Soares foram intempestivas aos ouvidos de milhões de brasileiros e brasileiras que professam a religião católica. A atitude do prelado em foco é um verdadeiro veredicto oficializante, no concernente ao ingresso dos homossexuais aos casarões responsáveis pela formação dos sacerdotes e religiosos, bem assim no clero e nas associações religiosas. É lamentável e execrável o comportamento demonstrado pelo bispo em questão. É de estranhar, que até ao presente momento, o mundo católico das Alagoas, mormente o corpo clerical, tenha silenciado tal fato, que no Sul do País teve grande repercussão. Nada tenho contra os homossexuais daqui ou alhures, visto que são pessoas que merecem o nosso respeito e fazem parte do cotidiano da nossa sociedade. Estranho sim, que a Igreja Católica ao longo dos séculos sempre combateu o homossexualismo de uma maneira genérica e para a surpresa de todos, um dos seus pastores abraçou a causa com toda sabedoria sacerdotal. (*) É advogado, bacharel em História e professor ([email protected]).

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