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O Enem e a sele��o unificada

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Dentre as várias questões relevantes para a definição de políticas para a nossa Ufal, o Conselho Universitário, do qual somos membros, se defronta com uma, a nosso ver importantíssima, que diz respeito ao novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O MEC pretende que o novo Enem se torne a base do Sistema de Seleção Unificada. No dia 4 de maio deste ano de 2009, tivemos um debate acalorado no Consuni/Ufal e a discussão deverá ter continuidade em brevíssimo espaço de tempo em vista do exíguo prazo de 19 de maio de 2009 estabelecido para a resposta das instituições no sentido de aderir à seleção unificada ou de recusá-la. Em qualquer dos casos as universidades federais devem se manifestar sob quais condições se daria uma eventual adesão ou uma eventual recusa. Soluções intermediárias ainda são possíveis como, por exemplo, a de levar em conta uma transição que respeite as especificidades de cada instituição. Uma das sugestões apresentadas foi a de uma adesão da Ufal ao Sistema de Seleção Unificada a partir de 2012, ocasião em que as pendências do sistema vigente de seleção já estariam superadas. Outra sugestão, e que em certo sentido pode ser conciliada com a primeira, é referente a uma adesão apenas parcial em cima de um número determinado de vagas, sendo o percentual complementar de vagas submetido a seleções não unificadas. Há conselheiros, inclusive, que concebem que a implantação imediata de uma seleção unificada seja algo que está em oposição diametral ao processo de interiorização da Ufal. A questão é sobremaneira complexa e a solução oferecida nos parece muito parcial. Há vários elementos que entram em avaliação como as vagas destinadas a políticas de inclusão social enquanto elementos mitigadores de injustiças seculares. Claro está que o Vestibular é um mal de nosso sistema educacional, mas não é o único mal. Um sistema unificado, ainda que possa eventualmente trazer alguns ganhos, não é, definitivamente, qualquer panacéia para os nossos complexos problemas educacionais. Dois brevíssimos comentários. Primeiramente, o Vestibular ? com a sua lógica perversa de ?macetes?, ?bizús? e ?bizuramas? ? mata a criatividade de bons professores e estudantes do Ensino Médio com reflexos negativos para os níveis posteriores de escolaridade, inclusive o da pesquisa. No entanto, se o Enem não passar de um novo Vestibular, certamente os cursinhos não terão dificuldades para a adaptação às novas provas. Em segundo lugar, perguntaríamos algo que carece de reflexão: o que significa um sistema unificado em um País tão desigual e tão injusto com as nossas potencialidades? (*) É professor da Ufal e membro do Consuni.

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