Opinião
Palavras de luz
Iluminadas, as declarações do santo padre durante esta sua peregrinação pela Terra Santa são um alento à paz, em função da coragem e firmeza do vigário de Roma na defesa de proposições tão justas quanto desagradáveis aos corações e mentes voltadas para a guerra e para a intolerância religiosa. Duas questões centrais foram abordadas destemidamente por Bento XVI: pela criação do Estado Palestino efetivo e contra a construção do Muro da Vergonha (separando áreas palestinas e judaicas tal qual o sinistro Muro de Berlim ? de triste memória). Ambas as posições são decisões igualmente justas e corajosas da ONU; resoluções que têm sido acintosamente desrespeitadas pelos dois lados em conflito, seja pelos vários governos que têm dirigido Israel, quer seja pelos radicais mulçumanos que realizam continuados atos de terrorismo contra a população israelense. Ao se posicionar com segurança e clareza a favor do Estado Palestino, Bento XVI o faz na defesa explícita da existência de dois Estados, duas nações, dois países geminados numa mesma terra santificada para três religiões. Essa posição é a simples aplicação da decisão original da Organização das Nações Unidas, quando sobre as cinzas ainda quentes da 2ª Guerra Mundial, autorizou a construção do Estado Israelense e do Estado Palestino naquela área santa para judeus, cristãos e mulçumanos. Sem a restauração desta decisão histórica (mesmo contra a vontade dos radicais islâmicos e israelenses, que se unem na intolerância recíproca e na paixão pela guerra) não haverá chances para a paz na Terra Santa. O Muro da Vergonha na Palestina é apenas uma horrorosa reedição do espírito racista dos guetos criados pelos nazistas ou do Muro de Berlim edificado pelos comunistas; e, tal qual esses seus dois execráveis antecessores, deveria ser demolido sem mais delongas.