Opinião
Urgente, urgente!
Pimpão e Lupita, aposentados, esperam o ônibus à noite 40 minutos. Ao verem o coletivo dão com a mão, e o mesmo passa direto, veloz. Danuza se vê danada com as bocas de som estridentes dum bar, ao passo que Guiomar não anda mais nas calçadas do Centro da cidade devido à bagunça da ocupação de ambulantes, carros, bikes e lixo. Essas pessoas sentem que tais situações merecem denúncia, porém silenciam. São as pequenas desordens: Pimpão e Cia. somos nós de baixa casta, ainda sem afinidade com a cidadania, tímidos, leigos, amedrontados, acomodados com a banalidade desses tipos de cenas. Só que enquanto não nos certificamos disso nos certificamos doutra coisa: não há timidez para a desordem urbana, por menor que ela seja. Como é sabido por todos, a desordem não se amedronta em oprimir o humilde contribuinte das classes sem prestígio. Como é sabido por muitos, essa pequena desordem não se incomoda em crescer rápido, parasitamente, em cima da banalização das vezes em que ela deixa de ser denunciada. Leo Joseph Suenens, cardeal belga do Concílio Vaticano II, já dizia na década de 1960 que ?o que levava um século para acontecer passara a acontecer em uma década, e o que precisava de uma década, acontece em um ano. Então, é preciso ter urgência?. Isso se aplica à bagunça no cotidiano cívico dos maceioenses. É preciso ter urgência para impedir o crescimento das desordens da nossa cidade, que se desenvolvem num ritmo espantoso, rápidas e paralelas à ordem e ao progresso. Pimpão, Lupita, Danuza e Guiomar têm de, em um primeiro momento, despertar da ilusão de que o Super-homem, os X-men, e até vários dos nossos representantes eleitos irão nos salvar. Se ?o hábito faz o monge?, esse nosso velho hábito de esperar por alguém que nos quebre um galho nos tem feito um monge nu sobre galhos que nunca quebram. Em seguida, Pimpão e os outros buscarão atentar para a necessidade de procurar pequenas soluções por eles mesmos: sempre anotar números de placas, telefones, nomes de sites, endereços, consultar uma lei ou alguém do ramo, procurar as repartições para denunciar, queixar-se face a face e, se necessário for, rodar a baiana no terreiro do atendimento público. Tomarão, assim, a sua parte num todo que parece ser de ninguém no intuito de impedir que eles e os seus sejam esmagados pelo círculo de desordem que se fecha. Ei, senhores, psiu! Acho bom terem urgência nessas pequenas ações, descruzarem os braços e correrem, correrem muito. Senão. (*) É estudante de Letras da Ufal.